Selecionada ficaria responsável por limpeza, higienização, desinfecção, conservação e gerenciamento de lixo.
A Justiça suspendeu a licitação da Prefeitura de Campo Grande para contratar a empresa responsável pela limpeza, higienização, desinfecção, conservação e gerenciamento de resíduos das unidades municipais de saúde.
Em agosto, a Produserv Serviços, empresa derrotada no pregão, entrou com recurso contra o resultado, alegando que apresentou preço menor e mesmo assim perdeu.
A suspensão foi informada no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta quinta-feira (3). O aviso publicado pela SELC (Secretaria Especial de Licitações e Contratos) informa que a medida atende a uma determinação judicial, mas não detalha, na publicação, os motivos que levaram à decisão.
O pregão estava em fase final. A sessão havia sido encerrada e o pregoeiro encaminhado o processo à autoridade superior para os atos de adjudicação e homologação.
A contratação atende a uma demanda da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e envolve serviços contínuos nas dependências internas e externas das unidades da rede municipal.
O objeto inclui desde limpeza e conservação até desinfecção e gerenciamento dos resíduos produzidos nos serviços de saúde.
Disputa - A definição da Integral como vencedora ocorreu depois de uma disputa que se arrastava desde o primeiro semestre e passou por suspensões, análise de documentos e recurso apresentado pela empresa que já presta o serviço.
Em 21 de julho, porém, a Produserv manifestou apresentou recurso após a classificação da Integral. O certame foi suspenso para apresentação das razões recursais e das contrarrazões.
Na ata, o pregoeiro informou que o processo seria encaminhado à autoridade superior para adjudicação do objeto e homologação da licitação. Também registrou que os próximos trâmites seriam publicados no Diário Oficial.
Foi justamente antes dessa etapa final que a determinação judicial interrompeu o processo.
Desde o início, o certame foi alvo de questionamentos de empresas interessadas. Entre os pontos contestados estavam exigências de capacidade financeira e experiência anterior para participação na disputa.
Também houve questionamentos sobre a exigência de experiência mínima de três anos e a comprovação de execução de serviços em área equivalente a 50% da metragem prevista no contrato, o que correspondia a 326.
A Prefeitura manteve as exigências, argumentando que o tamanho e a complexidade do contrato justificavam a necessidade de comprovação de capacidade financeira e técnica das empresas.
Problemas na habilitação - A própria Integral passou por análise detalhada da documentação antes de ser habilitada.
Em 9 de julho, durante a sessão, a pregoeira informou que faltavam documentos previstos no termo de referência, entre eles declaração de compromissos assumidos e registro, autorização ou licença expedida pelo órgão sanitário competente.
A empresa pediu prazo adicional alegando problemas técnicos para anexar os arquivos no sistema. O prazo foi prorrogado por mais uma hora e os documentos foram posteriormente apresentados.
O certame acabou sendo novamente suspenso naquele dia para uma análise mais detalhada da documentação de habilitação. Em 21 de julho, após a análise, a Integral foi considerada habilitada.
Na ocasião, o pregoeiro registrou ainda que havia sido feita consulta sobre eventual inidoneidade da empresa e de seu sócio majoritário, sem apontamento de pendências.
O que acontece agora - Com a decisão judicial, a Prefeitura não poderá concluir, por enquanto, a contratação da Integral nem formalizar o contrato de até 15 anos.
O aviso publicado no Diogrande determina a suspensão do Pregão Eletrônico nº 013/2026, referente ao processo administrativo nº 001047/2025-57. A publicação identifica como objeto justamente a contratação dos serviços de higienização, limpeza, desinfecção, conservação e gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.
A suspensão ocorre após cerca de sete meses de tramitação do processo, que começou com a publicação do edital em fevereiro, passou por impugnações, esclarecimentos, análise de documentos, recurso e definição de uma empresa provisoriamente vencedora.
Até a publicação desta quinta-feira, a Prefeitura ainda não havia homologado o resultado. Assim, apesar de a Integral ter sido declarada vencedora provisória em agosto, não há contrato definitivo decorrente desse pregão.
Em números
- Justiça suspende licitação de R$ 448 milhões para limpeza de postos de saúde
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