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Polícia Revisado por ULTRA AI

Juiz solta enteado de empresário preso com pistola dentro de clínica

4 min de leitura
Juiz solta enteado de empresário preso com pistola dentro de clínica

Lucas terá recolhimento noturno; situação do proprietário e do gerente segue indefinida.

O juiz Pedro Henrique Freitas de Paula concedeu liberdade provisória nesta quarta-feira (19) a Lucas Soto Silveira, de 30 anos, preso com uma pistola 9 milímetros e 36 munições durante a Operação Cura Terapêutica, na Clínica Vila Bethânia, em Glória de Dourados, município situado a 282 quilômetros de Campo Grande.

Conforme os autos obtidos pela reportagem, o magistrado concluiu que não havia motivo para mantê-lo preso e impôs medidas que incluem recolhimento domiciliar à noite e nos dias de folga.

Lucas é enteado do empresário Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, dono da clínica e principal alvo da investigação. Ele dormia em um dos quartos da Vila Bethânia quando os agentes encontraram a arma e as munições na manhã de terça (18).

Em depoimento, o estudante afirmou que a pistola pertence ao padrasto e que a guardou a pedido dele.

Na decisão, o magistrado destacou que o caso não envolveu violência, que Lucas não possui condenações anteriores e tem endereço certo. O Ministério Público também havia se manifestado favoravelmente à liberdade mediante o cumprimento de condições.

O juiz também considerou regular a prisão feita durante as buscas, mas entendeu que manter Lucas detido seria uma medida desnecessária. A avaliação levou em conta as circunstâncias da apreensão e a possibilidade de aplicação de restrições fora da cadeia.

A situação dos outros dois presos durante a operação ainda não foi definida. O caso de Fábio Garcia do Amaral e do gerente da clínica, Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, foi transferido para a comarca de Dourados.

Até a noite desta quarta, os dois ainda não haviam passado por audiência de custódia.

Entenda o caso - Fábio e Marcos foram presos depois que uma fiscalização encontrou um jovem de 22 anos que afirmou permanecer na Vila Bethânia contra a própria vontade.

À Defensoria Pública, ele relatou que não tinha autorização para deixar o estabelecimento e enfrentava dificuldades para conversar com familiares. O paciente pediu para continuar o relato em uma sala reservada.

O jovem contou que passou cerca de dois anos ligado a outra clínica, em Fátima do Sul, antes de ser transferido para a Vila Bethânia. A família chegou a alugar e mobiliar um apartamento para que ele morasse fora da unidade.

Ele também afirmou que trabalhou como estagiário para a clínica sem receber pagamento.

Segundo o relato, uma recaída no uso de drogas levou Fábio e Marcos ao apartamento para exigir que o rapaz retornasse ao estabelecimento. Ele afirmou que os dois tentavam convencê-lo a permanecer internado sempre que manifestava intenção de sair.

Em algumas ocasiões, ainda conforme o paciente, ele era obrigado a tomar medicamentos.

A fiscalização também encontrou grande quantidade de medicamentos controlados na Vila Bethânia. Entre os produtos estavam alprazolam, clonazepam, diazepam, estazolam e midazolam.

A clínica não tinha licença sanitária para armazenar e administrar esses remédios.

Equipes apreenderam 26 ampolas de medicamento injetável sujeito a controle especial e cerca de 2,5 mil comprimidos. Fiscais apontaram que parte dos produtos exigia estrutura adequada para aplicação e acompanhamento de profissional habilitado.

A unidade não tinha enfermeiro ou farmacêutico responsável pelos procedimentos.

As vigilâncias sanitárias estadual e municipal interditaram a Vila Bethânia durante a operação. O CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) também autuou o estabelecimento.

A fiscalização apontou ainda falta de estrutura para atender pacientes em situações de emergência.

Fábio Garcia já havia sido alvo de apuração envolvendo outra clínica de reabilitação. Em julho de 2025, a Clínica Terapêutica Hazelden BR, em Fátima do Sul, foi interditada depois da morte de uma adolescente de 16 anos.

A jovem morreu depois de ser amarrada e sedada durante um surto.

Fiscalizações feitas na época apontaram ausência de equipe médica especializada, casos de superdosagem de medicamentos, falta de prontuários e utilização de trabalhadores sem qualificação adequada.

A investigação atual apura a relação entre empresas que prestavam serviços de internação de dependentes químicos pagos com recursos públicos. A Polícia Civil suspeita que estabelecimentos formalmente distintos atuavam de forma coordenada.

O valor foi estimado a partir da análise de 66 processos judiciais referentes a 2023 e 2024 nos quais houve repasse de dinheiro público para custear internações.

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Em números

  • Es apreenderam 26 ampolas de medicamento injetável sujeito a controle especial e cerca de 2,5 mil comprimidos

Fontes

Informação baseada em material público de Campo Grande News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Campo Grande Newslink

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