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Uvas crescem em meio ao calor e aos cafezais e viram de suco a biscoitos no Norte do ES

Produtores desafiam as altas temperaturas em Jaguaré, no Espírito Santo, e diversificam a produção de café conilon com uvas que viram polpas, geleias e até bisc

4 min de leitura
Uvas crescem em meio ao calor e aos cafezais e viram de suco a biscoitos no Norte do ES

Longe das vinícolas italianas e dos vinhedos gaúchos, uma propriedade no Norte do Espírito Santo surpreende com parreirais cheios de cachos de uva crescendo em meio às lavouras de café e desafiando o clima quente típico da região.

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Produtor desafia calor e cultiva uvas no Norte do Espírito Santo.

Entre os cafezais de conilon e as altas temperaturas (acima dos 30 graus), o produtor Francisco Santiago apostou nesse cultivo pouco comum em sua propriedade que fica no interior de Jaguaré.

A diversificação vai além do cultivo: as frutas se transformam em sucos e até biscoitos.

Essa experiência começou em 2018 e hoje já são mais de 400 árvores distribuídas em uma área de quase meio hectare.

A aposta surgiu depois que Francisco conheceu uma propriedade que já trabalhava com a cultura da uva por meio de uma iniciativa de incentivo à produção rural. "Gostei, achei bonito e decidi plantar", relembrou.

No início, a falta de informações sobre o cultivo e a incerteza sobre o retorno financeiro que a produção daria foram os principais obstáculos.

Mas, com pesquisa e adaptação, além da insistência, o produtor conseguiu provar que a fruta poderia se desenvolver mesmo em um lugar inusitado.

Eu pensei que poderia não dar tão certo, e isso me incentivou a fazer as pesquisas e mostrar que é possível. [...] As variedades que eu tenho aqui deram bastante certo na nossa região", contou Francisco.

Em vez de depender de apenas uma única colheita, Francisco trabalha com duas podas anuais, geralmente nos meses de fevereiro e agosto.

Ele explicou que a quantidade de uva produzida varia conforme as condições climáticas de cada ano, mas o retorno é significativo: a cada safra, o produtor consegue colher de 2 mil a 5 mil quilos de uvas por planta.

Três variedades são cultivadas na propriedade: Niágara Rosada, Isabel Precoce e Bordô. O consultor técnico Douglas Gasparetto, do programa estadual Arranjos Produtivos, explicou as diferenças entre elas.

A Niágara Rosada é voltada para o consumo in natura. Já a Isabel Precoce pode ser vendida "em banca", mas é mais utilizada na produção de vinhos.

A Bordô, por sua vez, tem frutos menores, mas é doce e aromática, e pode ser usada em sucos e vinhos quando usada junto às outras variedades.

Gasparetto ressaltou ainda que o beneficiamento das uvas que não são vendidas diretamente para o consumidor final também ajuda o agricultor a aumentar a produtividade e o lucro.

Isso potencializa o agroturismo local. O produtor não precisa vender só quando tem uva, mas também [pode vender os produtos beneficiados] durante o ano na feira, na merenda escolar, agregando também na renda da família", explicou o consultor técnico.

A diversificação de culturas também é incentivada pelo município para fortalecer a economia local e para que os produtores não dependam apenas do café.

A secretária de Turismo de Jaguaré, Vera Becker, contou que, nos últimos anos, a produção rural da cidade começou a se destacar. E parte desse novo cenário tem a ver com a diversificação das culturas nas roças.

O município, um dos maiores produtores do conilon do Brasil, já conta com cerca de 20 marcas de café e outros produtos agroartesanais derivados.

Agora, produtos como licor, geleia, biscoitos e até cocada feitos com as uvas se destacaram. O próprio Francisco também começou a fazer polpas para suco e garantiu que o produto faz sucesso.

Isso vai trazendo um estímulo maior aos pequenos empreendedores e agricultores a diversificar, inovar e automaticamente melhorar a qualidade de vida e renda das famílias", ressaltou a secretária.

Na cidade, a empreendedora Lúcia Fernandes, que já fazia biscoitos artesanais com café, passou a utilizar a uva como ingrediente.

Eu comecei para um auxílio de renda, mas foi evoluindo aos poucos. Graças a Deus, a procura está sendo cada vez maior. Estou me dedicando mais para conseguir atender a clientela que nós temos hoje, que são muitos, graças a Deus", contou Lúcia.

Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo.

Em números

  • S de cada ano, mas o retorno é significativo: a cada safra, o produtor consegue colher de 2 mil a 5 mil quilos de uvas por planta

Fontes consultadas

  • G1 Economialink

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