O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou neste domingo o alarme crescente sobre os riscos da inteligência artificial, depois que alguns dos principais executivos do setor pediram uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da tecnologia.
O CEO da Anthropic PBC, Dario Amodei, publicou um longo texto no sábado pedindo que o setor desacelere, afirmando que o esforço exige coordenação entre empresas e também em nível global.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, e Elon Musk, à frente da xAI Corp., rapidamente endossaram a mensagem de Amodei.
Amodei afirmou, em particular, que sua empresa vai implementar novas medidas de segurança, incluindo o uso de avaliadores independentes, ideia que Altman também disse que pretende seguir.
Ainda assim, há dúvidas sobre o grau de comprometimento dos líderes de IA em moderar o ritmo de desenvolvimento de seus modelos mais avançados e também mais lucrativos, especialmente diante da forte concorrência de rivais chineses.
O diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett, disse neste domingo que a proposta de Amodei por salvaguardas adicionais em IA pode servir de modelo para o setor privado, inclusive ao permitir que observadores independentes tenham acesso aos modelos.
Em entrevista ao programa Fox News Sunday, Hassett classificou a segurança em IA como um “problema solucionável”. Ele disse que a IA avança em ritmo rápido o suficiente para, potencialmente, superar as defesas de cibersegurança existentes, mas que as empresas também estão desenvolvendo novas salvaguardas.
Alguns democratas têm usado os riscos ligados à IA como uma bandeira importante rumo às eleições de meio de mandato de novembro e à eleição presidencial de 2028.
O ex-presidente Barack Obama disse a uma plateia em um evento privado de arrecadação de fundos na semana passada que os democratas deveriam colocar a fiscalização da IA no centro de suas campanhas, segundo reportagem do New York Times.
O senador Chris Coons, democrata de Delaware que ajudou a apresentar um projeto de lei para proteger denunciantes do setor de IA, disse que a falta de conhecimento técnico no Congresso ameaça dificultar a regulação da tecnologia, enquanto o governo Trump mantém uma postura de não intervenção.
O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, disse ao programa This Week, da ABC, que os democratas da Câmara vão se reunir em bancada na manhã de terça-feira para discutir possíveis medidas sobre IA.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, defendeu uma parceria entre o setor de tecnologia e o governo para definir salvaguardas em IA, afirmando que sua mensagem às empresas é que elas “têm uma responsabilidade corporativa de garantir que seus produtos sejam seguros”.
Amodei afirmou acreditar que há espaço para regulação governamental no campo da IA. “A regulação permite que o público e seus representantes eleitos tenham voz e limita o que as empresas privadas podem fazer”, disse o executivo da Anthropic em entrevista exibida neste domingo no programa Sunday Morning, da CBS.
Já David Sacks, ex-czar de IA de Trump e atual copresidente do conselho consultivo de tecnologia do governo, afirmou que as empresas de IA não precisam de autorização governamental para desacelerar ou agir de forma mais responsável.
Ao mesmo tempo, não está claro se as empresas chinesas ou o governo de Pequim terão interesse em cooperar com firmas americanas em uma desaceleração ou na criação de salvaguardas.
Em entrevista à CBS, Amodei disse que um acordo de longo prazo com a China faria sentido para estabelecer um “limite de velocidade para o ritmo de avanço da IA”, mas reconheceu que isso pode ser irrealista.
Segundo ele, a verificação precisaria ser “à prova de falhas”, dadas as vantagens militares de sair na frente. “Sinceramente, não sei se é possível. Mas deveríamos tentar.”.
O aumento das preocupações com a segurança da IA coincide com uma reação crescente contra a tecnologia nos Estados Unidos, alimentada em parte por objeções ao impacto sobre recursos locais causado pelos novos data centers necessários para sustentar a tecnologia.
Preocupações de que a IA esteja elevando as contas de energia e, potencialmente, eliminando empregos transformaram o tema em uma questão central nas eleições de meio de mandato.
Outro fator que pesa sobre o mercado é se as enormes somas investidas em IA e infraestrutura relacionada vão gerar retorno. O escrutínio deixou as ações de alta valorização ligadas à tecnologia particularmente vulneráveis, com sinais de aumento de gastos ou retornos mais fracos provocando vendas nas bolsas.
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