Ir para o conteúdo
Negócios Revisado por ULTRA AI

Renner (LREN3) corta guidance após 2T fraco, preocupa com vendas e ações desabam 8%

Renner reduziu sua projeção de crescimento da receita de varejo para 2026 para uma faixa entre 4% e 8%, ante a estimativa anterior de 9% a 13%

4 min de leitura
Renner (LREN3) corta guidance após 2T fraco, preocupa com vendas e ações desabam 8%

O principal ponto de preocupação, porém, foi o desempenho das vendas. As vendas mesmas lojas (SSS) do varejo avançaram apenas 0,5% na comparação anual, muito abaixo do observado em concorrentes como C&A (CEAB3) e Grupo Guararapes (RIAA3), além de ficar aquém das expectativas do mercado.

Diante desse cenário, a Renner reduziu sua projeção de crescimento da receita de varejo para 2026 para uma faixa entre 4% e 8%, ante a estimativa anterior de 9% a 13%. A companhia atribuiu a revisão a um ambiente macroeconômico mais desafiador, à concorrência crescente de plataformas internacionais após mudanças tributárias e à queda de fluxo de consumidores observada durante a Copa do Mundo.

O Bradesco BBI classificou os resultados como negativos e afirmou que o corte de guidance acaba ofuscando os avanços operacionais da companhia.

Segundo o banco, o fraco crescimento das vendas e a revisão das projeções enfraquecem a tese de investimento e reforçam a percepção de que a Renner está mais vulnerável ao cenário macroeconômico. Para os analistas, o resultado deve ampliar o ceticismo do mercado sobre a capacidade da empresa de entregar suas metas.

O JPMorgan seguiu linha semelhante e afirmou esperar reação negativa das ações. O banco destacou que o novo guidance confirma preocupações com a demanda e ainda exige uma aceleração significativa do crescimento no segundo semestre para ser cumprido. A instituição também observou que, mesmo após a revisão, suas projeções continuam exigindo crescimento de dois dígitos das vendas na segunda metade do ano.

O Goldman Sachs também prevê reação negativa do mercado, avaliando que os investidores devem concentrar atenção na redução do guidance e no aumento da pressão competitiva exercida por plataformas internacionais de comércio eletrônico.

Apesar da desaceleração das vendas, a Renner apresentou indicadores operacionais considerados positivos.

A margem bruta do varejo avançou 0,4 ponto percentual, para 57,5%, atingindo um nível recorde para a companhia. Segundo a administração, o resultado foi beneficiado por maior participação de vendas a preço cheio, melhor gestão de estoques, ganhos de eficiência na cadeia logística e pelo real mais valorizado frente ao dólar.

O JPMorgan destacou que o avanço da margem e a redução das provisões para bônus ajudaram a preservar a rentabilidade mesmo diante do crescimento modesto das vendas. Já a XP observou que a Renner continuou apresentando a maior margem Ebitda do setor graças à elevada produtividade das lojas.

O banco americano ressaltou ainda que os estoques cresceram 6,5% em relação ao ano anterior, mas a quantidade de produtos com mais de 16 semanas caiu quase 12%, indicando qualidade considerada saudável do inventário.

A XP avaliou que o Ebitda da Realize ficou abaixo das expectativas por conta de despesas operacionais mais elevadas, enquanto o Goldman Sachs afirmou que a piora da rentabilidade e da qualidade da carteira deve gerar questionamentos adicionais dos investidores.

Mesmo após reduzir a projeção para 2026, a administração reiterou a expectativa de aceleração do crescimento ao longo do segundo semestre, apoiada por bases de comparação mais favoráveis, expansão da área de vendas, reabertura de lojas reformadas e novas iniciativas comerciais e digitais.

A companhia também manteve inalteradas as metas de longo prazo para abertura de lojas, expansão de margens, retorno sobre capital investido (ROIC) e crescimento até 2030. Além disso, reforçou sua política de retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações.

Para a XP, porém, a Renner ainda precisa revisar sua estratégia comercial e recuperar o status de destaque operacional que historicamente possuía frente aos concorrentes. A corretora acredita que os papéis devem refletir a surpresa negativa com os resultados e o corte de guidance, embora o programa de retorno de capital, com yield próximo de 5,8%, possa oferecer algum suporte às ações.

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

Leia também

Mais em Negócios