A Operação Resgate VI, força-tarefa nacional de combate ao trabalho análogo à escravidão e ao tráfico de pessoas, resgatou 479 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante ações realizadas em agosto em todo o país.
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- 2022 — II edição: 337 trabalhadores (+132,4% em relação a 2021).
- 2023 — III edição: 532 trabalhadores (+57,9% em relação a 2022).
- 2024 — IV edição: 594 trabalhadores (+11,7% em relação a 2023) — recorde até então.
- 2025 — V edição: 215 trabalhadores (-63,8% em relação a 2024).
- 2026 — VI edição: 479 trabalhadores (+123,0% em relação a 2025) e +230,3% em relação a 2021.
Entre os trabalhadores resgatados, 404 eram homens (84,4%) e 75, mulheres (15,6%). Além disso, a operação identificou 15 crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
Desse total, 13 também estavam submetidos a condições análogas à escravidão.
Também foram identificados 66 trabalhadores migrantes de países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau. A operação ocorreu entre 1º e 31 de agosto e realizou 231 ações de fiscalização.
A força-tarefa foi coordenada por auditores-fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF).
Veja abaixo os dez municípios onde ocorreram mais resgates.
As fiscalizações se concentraram principalmente em atividades rurais, que representaram 61% das ações. Nesse segmento, 292 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão.
As atividades urbanas corresponderam a 37,2% das fiscalizações e resultaram no resgate de 178 trabalhadores. No trabalho doméstico, 14 empregadores foram fiscalizados e 9 trabalhadores foram resgatados.
A construção civil foi a atividade com o maior número de trabalhadores resgatados, com 85 casos, seguida pelo cultivo de café, com 53. Também houve 47 resgates no cultivo de cebola e 44 no de batata.
Outros 43 trabalhadores foram resgatados em atividades agrícolas temporárias não especificadas. Na coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas, foram registrados 29 resgates.
Segundo o levantamento, os casos de trabalho análogo à escravidão se concentraram principalmente em atividades ligadas à produção agrícola e ao extrativismo.
Os empregadores flagrados foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos dos trabalhadores e formalizar retroativamente os vínculos de emprego.
Também tiveram de pagar verbas trabalhistas e rescisórias.
Os trabalhadores resgatados também receberam o seguro-desemprego especial destinado a pessoas retiradas de condições análogas à escravidão. O benefício corresponde a seis parcelas de um salário mínimo cada.
Além dos casos de trabalho análogo à escravidão, a operação identificou outras irregularidades trabalhistas. Cerca de 1. 836 autos de infração deverão ser emitidos por problemas como trabalho infantil, falta de registro em carteira e descumprimento de normas de saúde e segurança.
As fiscalizações também resultaram em 28 interdições ou embargos de atividades consideradas de risco grave e iminente à saúde e à integridade física dos trabalhadores.
Ao todo, 1. 192 trabalhadores foram encontrados sem registro formal de trabalho.
Realizada desde 2021, a Operação Resgate reúne diferentes órgãos públicos para identificar e interromper situações de trabalho análogo à escravidão, proteger as vítimas e adotar medidas trabalhistas, administrativas, civis e criminais contra os responsáveis.
A Operação Resgate VI, realizada em 2026, foi a maior desde o início da série histórica, em 2021, com 479 trabalhadores resgatados. O número é 230,3% superior ao registrado na primeira edição, quando 145 trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão.
Comparativo de trabalhadores resgatados.
Em números absolutos, 2026 fica atrás apenas de 2024 (594) e 2023 (532), mas representa a terceira maior edição da série e a maior desde o início do levantamento, em 2021.
Vale lembrar que, apesar do recorde de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão nesta edição, o número poderia ser ainda maior se houvesse mais auditores-fiscais do trabalho em atividade.
O Brasil enfrenta um déficit histórico e estrutural desses profissionais: atualmente, são cerca de 2,8 mil auditores na ativa, enquanto recomendações internacionais e estudos apontam a necessidade de pelo menos 5,5 mil servidores.
O que é trabalho análogo à escravidão.
O Código Penal define como trabalho análogo à escravidão aquele que é "caracterizado pela submissão de alguém a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou seu preposto.
Todo trabalhador resgatado por um auditor-fiscal do trabalho tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas de um salário mínimo cada.
O benefício, somado aos direitos trabalhistas cobrados dos empregadores, busca oferecer condições mínimas para que as vítimas possam reconstruir a vida após uma grave violação de direitos.
A pessoa resgatada também é encaminhada à rede de assistência social, onde recebe acolhimento e orientação sobre as políticas públicas mais adequadas às suas necessidades.
A partir da denúncia, os fiscais analisam as informações para verificar se há indícios de trabalho análogo à escravidão e avaliar a necessidade de uma ação no local.
A Operação Resgate VI resgatou 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante ações realizadas em agosto, em 19 estados.
Em números
- A construção civil foi a atividade com o maior número de trabalhadores resgatados, com 85 casos, seguida pelo cultivo de café, com 53
- Acionais e estudos apontam a necessidade de pelo menos 5,5 mil servidores
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