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Negócios Revisado por ULTRA AI

Ibovespa mira 200 mil pontos, mas eleição e correção podem testar o rali

Após 11 altas seguidas, índice volta a se aproximar do recorde, mas mercado monitora resistências, juros, fluxo estrangeiro e cenário eleitoral.

6 min de leitura
Negócios — imagem padrão

Há menos de três meses, o mercado discutia até onde poderia ir a queda do Ibovespa. Agora, a pergunta mudou: os 200 mil pontos voltaram a ser um alvo possível.

A arrancada é expressiva. Desde a reação iniciada na região dos 164. 835 pontos, o índice acumula recuperação de aproximadamente 12%. E não foi apenas o preço que mudou.

Parte dos fatores que pressionavam a Bolsa em junho — entre eles saída de estrangeiros, juros elevados e piora da percepção de risco — começou a se mover em direção mais favorável.

Isso não significa, porém, que o caminho até a máxima histórica de 199. 354 pontos — e, depois, até os 200 mil — será uma linha reta.

Depois de 11 altas seguidas, aumenta a possibilidade de uma realização de lucros. Ao mesmo tempo, a eleição passou a ter influência cada vez maior sobre Bolsa, dólar e juros, adicionando uma camada importante de volatilidade ao cenário.

Para ele, quem tenta capturar apenas o movimento imediato chega depois de uma parte relevante da arrancada. A avaliação muda, porém, quando o horizonte passa para médio e longo prazo.

Ibovespa sobe 3% com fluxo estrangeiro e empate técnico entre Lula e Flávio.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,05%, a 185. 205,09 pontos, maior alta percentual em um dia desde março.

Dos 165 mil aos 185 mil: o que mudou para o Ibovespa.

O contraste com junho ajuda a entender por que os 200 mil pontos voltaram tão rapidamente à conversa.

Depois de alcançar o recorde de 199. 354 pontos em abril, o Ibovespa perdeu mais de 15% e chegou a negociar abaixo dos 170 mil pontos. Naquele momento, pesavam sobre o mercado a saída de capital estrangeiro, juros elevados, apreensão fiscal, ruído eleitoral e um ambiente externo mais avesso ao risco.

A avaliação era de que uma recuperação mais consistente dependeria justamente de uma combinação de juros menores, melhora do fluxo estrangeiro, alívio fiscal e ambiente externo mais favorável.

Rafael Perretti, economista e analista da Clear, avalia que o mercado brasileiro está hoje particularmente dependente de dois vetores: o cenário político doméstico e o comportamento dos juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Na frente externa, dados mais fracos do mercado de trabalho americano tendem, segundo ele, a reduzir a pressão para novos aumentos de juros pelo Federal Reserve.

Isso melhora a atratividade relativa dos emergentes e pode favorecer o ingresso de recursos em mercados como o brasileiro.

Petrobras (PETR4) sobe 2,84% e fecha em máxima nominal histórica.

Mais uma vez, os papéis também foram beneficiados por movimento no exterior.

Fluxo e juros ajudam, mas eleição entra no preço.

Se juros e fluxo ajudaram a reconstruir o rali, a política passou a determinar a velocidade de parte do movimento.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. A reação foi rápida: Bolsa subiu, dólar caiu e os juros futuros recuaram.

Quaest: para 40%, caso Lulinha prejudica Lula; 42% veem dano a Flávio com Master.

Segundo a Quaest, 66% dos eleitores afirmam conhecer o caso Lulinha. O mesmo porcentual declara ter conhecimento das suspeitas relacionadas a Flávio Bolsonaro.

Na leitura de parte do mercado, uma disputa eleitoral mais equilibrada aumenta a possibilidade de mudança na condução da política fiscal a partir de 2027. Mas o mesmo componente capaz de alimentar a alta também pode provocar movimentos bruscos na direção contrária.

Até outubro, novas pesquisas, mudanças na percepção sobre os candidatos e sinais sobre os programas econômicos tendem a ganhar cada vez mais importância na formação dos preços.

Perretti destaca que o investidor estrangeiro também acompanhará de perto a trajetória das contas públicas.

Gráfico volta a colocar os 200 mil pontos no radar.

A melhora não aparece apenas nos fundamentos. O gráfico também mudou de configuração.

O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos está em 59,59 pontos no semanal. Isso significa que o mercado ganhou força, mas ainda não entrou em uma zona de sobrecompra nesse horizonte.

Antes de voltar ao recorde, há uma resistência importante na região de 188. 790 pontos. A leitura coincide com a avaliação de Moraes.

Superada essa primeira barreira, a referência passa a ser a máxima de 199. 354 pontos. Um rompimento consistente colocaria o índice novamente em território de recordes e poderia abrir espaço, pela análise técnica, para projeções acima dos 200 mil pontos.

Depois de 11 altas, correção pode vir antes do recorde.

A força do movimento também exige cautela. Onze altas consecutivas não significam que o Ibovespa precise cair na sessão seguinte, mas tornam mais natural uma acomodação ou realização de lucros depois de uma valorização tão concentrada.

É justamente nesse ponto que a leitura do gráfico mensal traz um sinal de atenção.

O índice permanece acima das médias de 9, 21 e 200 períodos, preservando a estrutura altista de longo prazo. O IFR mensal, porém, chegou a 70,04 pontos e entrou em região de sobrecompra.

A sobrecompra, isoladamente, não representa um sinal de reversão. Em tendências fortes, o indicador pode permanecer elevado por algum tempo. Mas ela mostra que o mercado já percorreu um caminho importante e aumenta a possibilidade de períodos de descanso ou correções.

Por isso, uma eventual queda depois das 11 altas não significaria necessariamente o fim do rali.

O ponto principal será observar a intensidade dessa realização, a manutenção do fluxo comprador e a capacidade do Ibovespa de preservar as regiões técnicas recuperadas durante a arrancada.

Em uma visão mais ampla, os 164. 835 pontos seguem como suporte estrutural importante da reação atual.

O que pode impedir o Ibovespa de chegar aos 200 mil.

Os 200 mil pontos voltaram a ser um objetivo plausível. Mas ainda não são um destino garantido.

Para o rali continuar, o mercado precisará encontrar uma combinação favorável de fluxo estrangeiro, juros e percepção de risco. No exterior, dados americanos, inflação, petróleo e a condução do Federal Reserve permanecem no radar.

No Brasil, eleição, trajetória fiscal e comportamento da curva de juros tendem a ganhar ainda mais peso.

O mercado já mostrou nas últimas semanas como pode reprecificar rapidamente mudanças nas expectativas políticas. Essa característica tende a ficar ainda mais evidente conforme a votação de outubro se aproxima.

Do lado técnico, os 188. 790 pontos são a primeira barreira mais próxima. Depois vêm o recorde de 199. 354 e a marca psicológica dos 200 mil.

Ou seja: o gráfico voltou a permitir que o investidor olhe para cima. Mas depois de uma sequência de 11 altas, o caminho até lá pode incluir correções — e uma eleição suficientemente disputada para fazer com que a volatilidade acompanhe o Ibovespa até a reta final.

Em números

  • Agora, a pergunta mudou: os 200 mil pontos voltaram a ser um alvo possível
  • 354 pontos — e, depois, até os 200 mil — será uma linha reta
  • Dos 165 mil aos 185 mil: o que mudou para o Ibovespa
  • O contraste com junho ajuda a entender por que os 200 mil pontos voltaram tão rapidamente à conversa

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Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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