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Debandada dos “gringos”? Por que Ibovespa caiu 1,7% nesta 6ª e mais de 3% na semana

A economia dos EUA cortou 23 mil empregos em julho, o que diminui os planos de alta de juros, mas também estimula ações de IA

5 min de leitura
Debandada dos “gringos”? Por que Ibovespa caiu 1,7% nesta 6ª e mais de 3% na semana

Depois de subir 0,32%, na máxima em 176.116,84 pontos e abertura estável em 175.546,36 pontos, o Ibovespa teve fortes perdas nesta sexta-feira (7), renovando uma série de mínimas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,73%, para 172.513,42 pontos, chegando a 172.131,20 na mínima do dia. Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 3,08% na pior semana desde maio.

Investidores avaliaram vários balanços de empresas brasileiras, comdestaque para a Petrobras (PETR3, PETR4), e dados de emprego dos Estados Unidos.

A economia dos EUA cortou 23 mil empregos em julho, em termos líquidos. As estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast variavam de criação de 63 mil e 130 mil postos de trabalho, com mediana de 80 mil. A taxa de desemprego norte-americana caiu para 4,1% em julho, ante 4,2% em junho, mesmo nível esperado por especialistas.

Conforme Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, o sinal de enfraquecimento do emprego dos EUA corrobora com a leitura de outros indicadores do país informados nesta semana. “Embaralha um pouco a visão de alguns dirigentes do Fed, de expectativas de alta dos juros americanos. Claro, ainda há preocupação inflacionária. Por isso, será importante avaliar os próximos dados de inflação”, diz.

“Lá fora, o mercado parece satisfeito com o payroll mais fraco, o que pode interromper o plano de subir juros do Fed esse ano, ou pelo menos em setembro”, diz Gustavo Cruz, CIO da Sintra Investimentos. Conforme o estrategista-chefe, no Brasil, há atenção maior nos resultados corporativos.

“O recuo na taxa de desemprego é o que está gerando dúvidas. Não faz sentido cair e, ao mesmo tempo, o mercado de trabalho ter fechado vagas. Payroll negativo, em tese, é desinflacionário, mas desemprego baixo é mais inflação, ainda mais sem um acordo entre EUA e Irã”, diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Os rendimentos dos Treasuries cederam, influenciando os juros futuros no Brasil. Na contramão dos outros mercados (câmbio e juros), parece mais técnico do que fundamento. Tendência de fluxo estrangeiro de saída em agosto, diz Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria de Investimentos.

Conforme ele, o mercado brasileiro de ações parece ter funcionado como um “hedge” de tecnologia, quando tech vai mal, a alocação em Brasil melhora e vice-versa.

Enquanto o Ibovespa caiu, o índice Nasdaq subiu 1,30% em Nova York, o que também sinaliza uma nova rotação de ações HALO (que são de ativos físicos) para de inteligência artificial. Em análise desta semana, o Deutsche Bank afirmou que a rotação de investimentos de volta para o setor de tecnologia ganhou força após a recente correção. O banco vê espaço para continuidade desse movimento, especialmente entre as grandes empresas de infraestrutura de computação em nuvem.

No noticiário geopolítico, o petróleo fechou em alta nesta sexta, após sessão volátil, mas despencou mais de 5% na semana com os investidores otimistas de que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz seja firmado.

“A explicação principal está na composição do índice, porque as duas maiores ações do Ibovespa são Petrobras e Vale”, avaliou. Para o especialista, o caso da Petrobras hoje é ilustrativo, porque a empresa entregou lucro de 52,4 bilhões, acima do esperado, anunciou 17,4 bilhões em proventos, abriu subindo mais de 2% e virou para queda.

“Quando um papel entrega resultado melhor que a projeção e mesmo assim cai, o problema não é o balanço, é o preço de onde ele partiu e o posicionamento de quem já estava dentro. Some a isso que o payroll não significa juro menor lá fora, porque o mercado apenas empurrou de setembro para outubro a aposta de uma alta do Fed, e que a corrida eleitoral acaba de ganhar peso com a oficialização das candidaturas. É uma Bolsa que subiu muito, chegou perto dos 180 mil pontos, e agora cobra notícia nova para justificar preço novo”, aponta.

Cabe destacar que, no fim do pregão da quinta-feira, o Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546,36, perto da mínima de 175.514,86. Na máxima do dia, o principal índice da B3 foi aos 177.720,00 pontos.

Já na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, houve um combo de notícias locais que acabaram pesando no Ibovespa.

Do lado corporativo, ele destacou a indicação da Petrobras de que é muito improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano, enquanto os resultados de Lojas Renner (LREN3) e Magalu (MGLU3) foram bem ruins, contaminando o setor. Em paralelo, acrescentou, há a pressão oriunda do quadro fiscal do país e expectativa sobre a eleição.

“Tudo isso afasta ainda mais o estrangeiro, que não vê nenhum gatilho no curto prazo para manter recurso na bolsa brasileira”, afirmou. “Hoje, me pareceu um pouco um cenário de ‘jogando a toalha'”, acrescentou, citando a forte queda de ações blue chips como Itaú (ITUB4), além da Petrobras.

“O mercado local está muito barato ainda, isso justifica o movimento mais lateralizado das últimas semanas/meses, mas conforme a sensação de piora dos fundamentos da economia aumenta, pode cair mais”, avaliou.

“Os últimos dados de atividade econômica mostram uma desaceleração, inadimplência alta, dívida do país subindo. Sem um choque nas expectativas, fica difícil mudar a tendência”, acrescentou Pedroso.

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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