No caso de Cogna, apesar da pressão de margens no curto prazo e dos ventos contrários regulatórios a partir do segundo semestre de 2027, o trio está mais otimista com a perspectiva de crescimento da Kroton. Eles estimam crescimento de 10% na receita em 2026, especialmente com o lançamento de cursos de enfermagem no modelo presencial com apoio de polos de ensino a distância (EAD), cuja entrada de alunos deve crescer 40% na comparação anual no 3T26.
O Morgan Stanley cortou significativamente suas estimativas devido ao aumento dos gastos com tecnologia, provisões para devedores duvidosos (PDA) e maior prazo de recebimento de clientes.
“Em termos de valuation, a CSED3 deixou de negociar com o desconto que justificava a recomendação anterior”, comenta o banco.
Manter SEER em OW. Apesar de uma aceleração mais lenta que o esperado nos cursos de medicina, analistas continuam construtivos com o crescimento de vagas médicas e das matrículas em geral. Após a forte desalavancagem, eles esperam uma expansão relevante dos resultados, com crescimento de 38% no lucro em 2026, 17% acima do consenso de mercado.
A avaliação descontada e a pressão compradora dos controladores criam um piso para a ação. Ainda assim, a companhia pode continuar sendo utilizada como fonte de recursos em operações relativas, devido à ausência de catalisadores de curto prazo, mesmo com a posição vendida atingindo cerca de 20% do free float.
Apesar de o guidance indicar um retorno de fluxo de caixa superior a 20%, a YDUQS não se torna mais atrativa em relação aos pares, já que todas as companhias do setor negociam com desconto semelhante. Os desembolsos relacionados a contingências trabalhistas devem continuar elevados, e não descartamos uma nova rodada de demissões no quarto trimestre de 2026 antes dos impactos regulatórios.
De forma geral, o Morgan Stanley prevê queda nas matrículas, crescimento moderado da receita e pouca oportunidade de expansão de margens no segundo trimestre de 2026. Além disso, a manutenção dos juros elevados por mais tempo reduz o principal potencial de crescimento dos lucros esperado no início do ano.
Após os efeitos regulatórios comerciais no primeiro semestre de 2026 — especialmente as restrições a determinados cursos, como modalidades de ensino a distância (EAD) e enfermagem híbrida — o banco mantém uma visão cautelosa sobre os impactos regulatórios acadêmicos a partir do segundo semestre de 2027.
Essas mudanças devem elevar custos e pressionar a rentabilidade do setor. Acreditamos que repassar esses custos por meio de aumento de preços será difícil diante da elevada competição. Além disso, mesmo que haja reajustes, eles podem ser compensados por uma queda no volume de alunos, devido à alta elasticidade da demanda.
Como a implementação dessas regras ainda tem horizonte mais longo e detalhes pouco claros, tanto o mercado quanto as próprias empresas podem subestimar o tamanho do impacto.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.