Repertório do show deste sábado, 5, trouxe apenas músicas da fase do vocalista que permitiu a sobrevivência da maior banda de metal da história do Brasil.
O Sepultura poderia ter acabado muitas vezes antes de decidir acabar. Sobreviveu à ruptura com Max Cavalera, à rejeição que o vocalista americano Derrick Green enfrentou desde Against (1997), à saída posterior de Igor Cavalera, a fases de menor prestígio comercial e, já com a turnê de despedida anunciada, à troca inesperada de bateristas, com Greyson Nekrutman no posto de Eloy Casagrande.
Talvez por isso a reta final tenha menos aparência de funeral do que de demonstração de resistência.
Derrick é o símbolo máximo dessa sobrevivência. Entrou em 1997 encarregado da tarefa ingrata de ocupar um lugar que muitos fãs consideravam insubstituível. Permaneceu mais tempo e gravou mais álbuns que seu antecessor.
Houve altos e baixos, é verdade, mas que banda de carreira longeva não tem? Ao entregar a Green todo o repertório de sua última passagem pelo Rock in Rio — executando somente canções de sua era —, o grupo completo por Andreas Kisser (guitarra) e Paulo Jr (baixo) deu um recado: tudo isso é Sepultura.
É curioso, aliás, decidir fazer de seu último show no Rock in Rio — dois meses antes da despedida real em São Paulo — aquilo que tantas bandas evitam quando chegam ao fim: recusando-se a transformar a última volta apenas em nostalgia.
Em meio às últimas três décadas de carreira, o maior destaque foi oferecido justamente ao EP derradeiro The Cloud of Unknowing (2026), com a execução de suas quatro faixas.
Por outro lado, talvez este tenha sido o único ponto a comprometer o fluxo do show. As canções mais recentes, incluindo a balada “Beyond the Dream” e a estreante ao vivo “Sacred Books”, tiveram baixa adesão do público, que pareceu ter preferido pauladas como a dobradinha de abertura “Against” e “Choke”, a já clássica “Kairos”, o groove irresistível de “Mind War” e o encerramento com “Sepulnation” — justamente algumas das mais antigas.
No mais, tudo funcionou muito bem, especialmente se considerar o caráter único da performance. Parte da plateia deve ter se dado conta de que conhece e aprecia mais músicas da era Green do que o imaginado.
A apresentação deste sábado, 5, serviu para fazer justiça àquele que, de acordo com Andreas Kisser, possibilitou a continuidade da existência do Sepultura.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…