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Musica Revisado por ULTRA AI

ROSALÍA entrega espetáculo cênico irretocável no Rio de Janeiro

Em primeira apresentação no Brasil com a “LUX Tour", cantora funde o erudito ao Pop e entrega espetáculo de intensidade técnica impecável

5 min de leitura
ROSALÍA entrega espetáculo cênico irretocável no Rio de Janeiro

Em cena, a transição entre a estética urbana do álbum MOTOMAMI e a riqueza cênica do disco LUX se traduziu em um contraste fascinante no palco. As coreografias milimetricamente executadas destacaram a entrega física da artista com seu balé, enquanto a cenografia monumental transformou o espaço em um templo sacralizado de luz e som.

Assim, a proposta visual elevou cada faixa do repertório a uma nova dimensão artística.

Igualmente marcante foi a presença da orquestra ao vivo integrada ao corpo do espetáculo. Os arranjos de cordas e metais trouxeram uma profundidade dramática inédita para o catálogo da espanhola e, como resultado, cada canção ganhou tons de ópera moderna que funcionaram perfeitamente no ambiente de arena.

A abertura com a orquestra até a artista surgir saindo de dentro de uma caixa em “Sexo, violencia y llantas” ditou a grandiosidade do espetáculo. Além do poder vocal imediato, as harmonias da cantora soaram cristalinas em todas as execuções.

Ou seja, ela provou que sua capacidade de alcance e afinação atingiu um patamar espetacular nesta nova fase.

Equilíbrio entre o rigor cênico e o afeto carioca.

A primeira parte do concerto destacou a precisão matemática da produção visual. Em “Porcelana“, a dança cirúrgica se conectou ao ritmo das luzes estroboscópicas, enquanto “Divinize” usou tecidos para desenhar quadros vivos memoráveis.

A soma desses elementos visuais transformou o palco em uma galeria de arte viva em constante movimento.

Entretanto, o grande trunfo de Rosalía reside na capacidade de desarmar a própria solenidade do show através de um carisma magnético. Ao celebrar sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, ela relembrou as férias no país e festejou o retorno ao pão de queijo e à feijoada.

Além disso, brincou sobre o avanço nas aulas de português, arriscando palavrões no sotaque carioca com naturalidade.

Esse contraste entre o sagrado e o profano ficou ainda mais evidente antes de “Mio Cristo piange diamanti“, faixa que encerrou o Ato I e levou a artista às lágrimas em um momento de pura emoção.

Envolta em um manto dramático, ROSALÍA ironizou a falta de silêncio da plateia ao ser ovacionada com gritos de “gostosa”. Ao sorrir e abraçar o carinho do público, a cantora demonstrou total domínio do ritmo do espetáculo.

No Ato II, a proposta sonora atingiu o ápice ao unir a orquestra ao Techno pesado no clímax da excepcional “Berghain“, faixa que traz participações de Björk e Yves Tumor.

O solo de dança flamenca com sapateado preciso que veio a seguir reafirmou o respeito da cantora por suas raízes espanholas, e a performance impressionou pela autenticidade técnica e pelo rigor físico em cena.

Apesar da centralidade do repertório recente, o resgate de faixas consagradas do passado provou a versatilidade da produção. Sucessos como “SAOKO” e “LA FAMA” ressurgiram sob a grandiosidade dos arranjos clássicos ao vivo em uma fusão orgânica, corajosa e potente entre a música erudita e os ritmos urbanos.

Confessionário com Marina Sena e surpresas no público.

A terceira parte da apresentação mostrou como a cantora utiliza a descontração para criar intimidade em larga escala.

A execução de “Can’t Take My Eyes Off You”, clássico de Frankie Valli, abriu caminho para o famoso quadro do confessionário. A participação de Marina Sena, ao revelar a época em que se envolveu em um relacionamento aberto, gerou rápida identificação no público.

Ao ouvir a história, Rosalía disparou que “os homens pedem fogo e depois não aguentam o calor”.

Essa dinâmica de troca continuou com depoimentos de fãs diretamente da pista e das arquibancadas antes de “La Perla“, faixa enriquecida pelo apuro cênico das luvas brancas do balé.

Em seguida, a atmosfera poética de “Sauvignon blanc” serviu de trilha para um pedido de casamento na pista.

Desfecho de um espetáculo irretocável.

A aproximação física com a plateia atingiu outro nível no Ato IV, quando a artista caminhou até o palco B para interpretar “La rumba del perdón”. Logo depois, o turíbulo gigante suspenso espalhou fumaça sobre a pista em um verdadeiro ritual cênico e a solenidade do momento preparou o terreno para a celebração coletiva do bloco final.

No Ato V, a sequência incendiária com “BIZCOCHITO” e “DESPECHÁ” converteu a arena em um estado de pura efervescência. Por fim, a delicadeza de “Magnolias” coroou uma noite de alto nível artístico.

A passagem da turnê pelo Rio de Janeiro não foi apenas mais uma grande produção internacional a desembarcar no país, mas a prova da relevância de ROSALÍA para o Pop contemporâneo.

Ao costurar erudição, ousadia estética e apelo popular sem ceder ao óbvio, a cantora estabelece novos rumos para a música ao vivo.

O espetáculo apresentado na “LUX Tour” é uma aula de direção artística em que a técnica impecável serve ao propósito da emoção crua. Com uma proposta primorosa e corajosa, ROSALÍA reafirma que a verdadeira genialidade Pop está na habilidade de reinventar a própria arte sem deixar de fascinar multidões.

Setlist: ROSALÍA no Rio de Janeiro (10/08/2026).

I 1. “Sexo, violencia y llantas”2. “Reliquia” 3. “Porcelana” 4. “Divinize” 5. “Mio Cristo piange diamanti”.

II 6. “Berghain” 7. “SAOKO” 8. “LA FAMA” 9. “LA COMBI VERSACE” 10. “De madrugá”.

III 11. “Can’t Take My Eyes Off You” (Frankie Valli cover) 12. “La perla” (quadro “Confessionário” com Marina Sena) 13. “Sauvignon blanc” 14. “La yugular”.

IV 15. “Dios es un stalker” 16. “La rumba del perdón” 17. “CUUUUuuuuuute”.

V 18. “BIZCOCHITO” 19. “DESPECHÁ” 20. “Magnolias”.

Fotos: ROSALÍA estreia no Rio de Janeiro (10/08/26).

Fontes

Informação baseada em material público de Tenho Mais Discos Que Amigos, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Tenho Mais Discos Que Amigoslink

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