Oito anos após a última passagem pelo Brasil, Jay Kay prova que acid jazz e funk não envelhecem.
O Jamiroquai dispensa apresentações — mas precisa, de tempos em tempos, lembrar ao mundo que ainda está aqui. Na última sexta, 11, a banda britânica encerrou a programação do Palco Sunset do Rock in Rio 2026 e entregou exatamente o que prometia: groove contagiante, acid jazz sem prazo de validade e Jay Kay no centro de tudo — de agasalho esportivo, tênis brilhantes e um chapéu de LED piscante (ridículo em qualquer outra pessoa, mas nele funciona perfeitamente).
O público do Sunset não foi o mais numeroso da noite, em um dia dominado pelo pop coreano e pela atração principal, Stray Kids. Ainda assim, a diversidade de quem apareceu era curiosa: jovens que descobriram a banda pelo TikTok e pelo Spotify; pessoas que cresceram ouvindo “Virtual Insanity” na MTV; e pais que levaram os filhos ao festival.
O que uniu todo mundo foi o balanço: quem não conhecia as faixas menos famosas dançava do mesmo jeito que quem sabia cada palavra. Esse é o poder do Jamiroquai: hipnotiza antes que a cabeça perceba o que está acontecendo.
Jay Kay entrou sem alarde e não parou mais. Durante todo o show, cruzou o palco de um lado para o outro, bateu o pé, dançou, pulou, chutou o ar, deu socos no vazio e manteve uma energia que faria artistas décadas mais novos passarem vergonha.
Só quem estava lá sabe como não desabou de calor. A interação com o público foi econômica, alguns “Rock in Rioooo”, uns “Brasiiiil”, mas bastou descer para o corredor durante “Alright” e cumprimentar fãs de perto para o Palco Sunset ir ao delírio.
O setlist passeou por diferentes fases da banda. “Little L” e “Love Foolosophy”, de A Funk Odyssey (2001), exibiram o lado mais dançante e pop do grupo. Já “Space Cowboy”, do clássico Travelling Without Moving (1996), foi um dos pontos altos mais celebrados.
Além disso, o espetáculo conversou com o palco de um jeito raro. O desenho de luzes sobre Jay Kay e a estrutura do Sunset pulsavam nas mesmas cores, transformando o ambiente em um espetáculo visual que amplificava cada batida.
A catarse veio com “Virtual Insanity”: trinta anos depois do lançamento, a música continua capaz de roubar a atenção de qualquer um.
O Jamiroquai não foi ao Rock in Rio para provar nada — e nem precisava. Veio para aproveitar e fez todo mundo dançar junto.
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