Executivos da Columbia duvidaram do potencial de um clássico da banda, mas insistência transformou o projeto em um dos álbuns mais vendidos da história.
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb).
Em 1979, o Pink Floyd chegava ao fim da década com status de uma das maiores bandas do planeta. Após o sucesso de The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e Animals (1977), qualquer lançamento dos britânicos trazia a promessa de milhões de cópias vendidas.
No entanto, quando o grupo entregou as fitas do ambicioso The Wall, a reação dentro da Columbia Records (sua gravadora nos Estados Unidos) esteve longe de ser positiva.
Na verdade, os executivos odiaram o que ouviram.
O descontentamento não era sobre o conceito do álbum — uma ópera rock criada por Roger Waters sobre isolamento, trauma e alienação —, mas sim sobre seu apelo comercial.
Ou melhor: a ausência dele. A gravadora olhou para a lista de faixas do álbum duplo e não conseguiu enxergar um único hit imediato para as rádios.
Nick Mason, baterista do Pink Floyd, admite que The Wall realmente não era algo fácil de ser assimilado a curto prazo e relembra como foi a recepção da Columbia (via Far Out Magazine).
A tensão atingiu o ápice em relação à faixa “Another Brick in the Wall (Part 2)”. A gravadora não acreditava no potencial da música como single, considerando sua estrutura não convencional para as rádios.
Foi a insistência do produtor Bob Ezrin falou mais alto: ele percebeu o potencial da batida influenciada pela disco music e teve a ideia de adicionar um coro de crianças da escola Islington Green, em Londres.
Apesar da resistência inicial dos executivos e das críticas de setores conservadores ao verso “We don’t need no education” (“Não precisamos de educação”, em tradução literal no português), a jogada arriscada da banda vingou.
Lançada como single, “Another Brick in the Wall (Part 2)” tornou-se o único compacto do Pink Floyd a atingir o topo das paradas no Reino Unido e nos Estados Unidos, vendendo milhões de cópias no mundo todo.
Lançado em novembro de 1979, The Wall não apenas provou que a gravadora estava errada, como se tornou um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos — ultrapassando a marca de 30 milhões de cópias vendidas — e um marco cultural indiscutível da história do rock.
+++ LEIA MAIS: O solo do Pink Floyd que David Gilmour nunca aprendeu a tocar +++ LEIA MAIS: Roger Waters muda letra de ‘Comfortably Numb’ para versão beneficente +++ LEIA MAIS: David Gilmour, 80 anos: o guitarrista da genialidade descomplicada.
Fontes
Informação baseada em material público de Rolling Stone Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.