Em entrevista à Rolling Stone Brasil, artista fala sobre o primeiro álbum, identidade nordestina e a mistura entre tradição e experimentação.
Depois de apresentar seu universo musical no EP Nordeste Futurista, em 2021, Luana Flores lança Cria do Sol Quente, seu primeiro álbum. O trabalho reúne referências da cultura popular nordestina, instrumentos tradicionais, música eletrônica e reflexões sobre território, identidade e transformação.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, a artista celebrou a repercussão do projeto, que passou por um longo processo de criação.
Embora já tivesse lançado um EP, Luana considera o novo trabalho seu disco de estreia. Para ela, o formato representa uma oportunidade de construir uma narrativa mais madura e aprofundada sobre sua identidade artística.
Do Nordeste Futurista à Cria do Sol Quente.
A ideia do álbum começou a ganhar forma em 2023. Inicialmente, Luana pensava em lançar um projeto de remixes chamado Nordeste Futurix, mas novas composições surgiram e mudaram os planos.
A parceria com o produtor Romero Galas ajudou a desenvolver as canções, enquanto o título só foi definido mais tarde. A expressão “Cria do Sol Quente”, porém, já fazia parte de uma composição anterior da artista.
Aos poucos, Luana percebeu que aquelas palavras poderiam reunir os diferentes conceitos presentes no disco.
A sonoridade do álbum reúne rabeca, pífano e percussão com beats eletrônicos. Para Luana, essa mistura nasce naturalmente de sua relação com a cultura popular.
A artista se define como brincante e explica que sua vivência com diferentes manifestações culturais influencia diretamente os sons que leva para sua música.
Outro elemento importante no disco é a colagem sonora. Áudios, ruídos e diferentes fragmentos podem ser reorganizados e ganhar novos significados dentro das músicas.
A experiência como DJ e beatmaker também influencia esse processo.
Um disco político que também convida à dança.
Cria do Sol Quente também é marcado por encontros com mulheres nordestinas, artistas LGBTQ+ e nomes de diferentes gerações. Entre as participações está Cátia de França, que Luana define como uma artista fundamental para abrir os caminhos do trabalho.
As escolhas, segundo ela, são artísticas e políticas ao mesmo tempo.
Apesar dos temas ligados a território e identidade, o álbum mantém uma energia dançante e vibrante. Para Luana, política e alegria não precisam ocupar espaços opostos.
Ao imaginar como gostaria que o disco fosse lembrado no futuro, Luana fala sobre permanência e transformação.
Para a artista, Cria do Sol Quente é, acima de tudo, uma semente, uma obra criada para provocar movimento, criatividade e novas possibilidades. “Eu espero que muitas crianças sejam ativadas também nesse movimento de alegria.”.
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