No Komplexo Tempo, em São Paulo, o produtor haitiano-canadense entregou quase duas horas de apresentação sem deixar a energia cair por um segundo sequer.
Há shows a que você vai sem saber exatamente o que esperar, e há shows que confirmam, em tempo real, tudo o que você já suspeitava sobre um artista. A apresentação de Kaytranada no Komplexo Tempo, na última sexta, 14, foi do segundo tipo.
O produtor haitiano-canadense chegou ao galpão industrial da Mooca para mais uma data da Ain’t No Damn Way! Tour e passou quase duas horas atrás da mesa, fazendo exatamente o que faz de melhor: comandar uma pista inteira sem que ela perceba que está sendo comandada.
A apresentação não teve ponto fraco — e esse é, talvez, o dado mais impressionante de uma noite que já seria, por si só, muito boa. Kaytranada construiu uma progressão que nunca deixa a pista respirar demais, mas também não sufoca.
Ele entende o ritmo das pessoas: sabe quando empurrar, quando segurar e quando soltar aquele acorde que transforma um galpão em algo que parece muito maior do que é.
Ao longo de quase duas horas, o nível não caiu uma vez. Não houve transição equivocada, nem aquele instante em que você olha para o lado e pensa: “agora deu uma esfriada”.
O repertório é praticamente um desfile de hits: em quase duas horas, ele passeou por toda a discografia — 99. 9% (2016), BUBBA (2019), Timeless (2024), KAYTRAMINÉ (2023) e o recente AIN’T NO DAMN WAY.
(2025) —, além de remixes que já viraram clássicos das apresentações. O de “If”, da Janet Jackson, entrou cedo e provocou a primeira reação coletiva da noite; “Meditation”, de GoldLink, apareceu no meio do show, numa das transições mais suaves.
Pelo caminho, “Drip Sweat”, “Need It”, “Snap My Finger” e “Please Babe” mantiveram a pista em movimento constante, sem abrir espaço para qualquer queda de energia.
Um dos grandes momentos foi “Lite Spots” — faixa que sampleia “Pontos de Luz”, de Gal Costa — e fez a pista reagir de um jeito diferente: aquela mistura de reconhecimento e surpresa que só acontece quando uma música encaixa no momento exato.
Com tanto material bom acumulado, foi nas faixas finais que a noite chegou ao topo: “Witchy” e “10%” fecharam a apresentação com as duas músicas que o público mais esperava — e que soam ainda maiores ao vivo do que nas plataformas.
Com suas descoladas danças e coreografias, Kaytranada fica atrás da mesa, num balanço que parece completamente natural e que, de algum jeito, contagia todo mundo ao redor.
A produção é contida — telão e luzes, sem pirotecnia —, o que faz o foco recair inteiramente sobre a música e sobre ele. O contato com o público foi mínimo e deliberado: um “São Paulo!” aqui, um “Batam palma, São Paulo!” ali, algum “Estão curtindo?” esparso e pouquíssimos “Obrigados”.
Não precisou de mais. Quando a música está falando tão alto, qualquer discurso seria supérfluo.
É difícil sair de um show de Kaytranada sem vontade de ouvir tudo de novo — e sem a sensação de que você acabou de assistir a alguém que controla uma pista como poucos fazem.
O Komplexo Tempo estava cheio, e a noite foi do começo ao fim exatamente o que deveria ser: sem desperdício, sem filler, sem momento em que a atenção escapa. Quase duas horas que passaram rápido demais.
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Fontes
Informação baseada em material público de Rolling Stone Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.