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Musica Revisado por ULTRA AI

Em “CUMULONIMBUS”, Rashid provoca o rap a repensar os caminhos que o trouxeram até aqui

Em novo álbum, rapper transforma inquietações sobre a padronização, a busca por números e o afastamento das raízes do Hip-Hop

9 min de leitura
Em “CUMULONIMBUS”, Rashid provoca o rap a repensar os caminhos que o trouxeram até aqui

O rap brasileiro venceu. Ocupou festivais, chegou ao topo das plataformas, atravessou fronteiras estéticas e transformou artistas periféricos em alguns dos nomes mais ouvidos do país.

Aquilo que durante décadas precisou disputar espaço para existir hoje movimenta números, marcas, grandes palcos e uma indústria própria. Mas toda vitória também permite uma pergunta: o que se perde quando aquilo que nasceu como contracultura passa a fazer parte do centro da cultura.

É olhando para essa contradição que o rapper Rashid constrói CUMULONIMBUS, seu novo álbum de estúdio. Ao longo de 15 faixas, o artista da Zona Norte de São Paulo não tenta negar as conquistas comerciais do gênero e tampouco propõe uma volta romantizada ao passado.

Seu movimento é outro: retornar aos fundamentos para questionar se, durante o caminho até o topo, o rap não começou a deixar para trás justamente algumas das características responsáveis por levá-lo até lá.

Em entrevista exclusiva para o TMDQA!, ele explicou: É uma reflexão sobre as coisas que são cruciais para o Rashid, para o rap. Essas coisas estão ficando em detrimento diante das demandas de mercado.

A gente foi para um lugar onde tudo tem um padrão, desde o sorriso ao carro da pessoa. O mais que pegou pra construir esse disco é que o rap entrou num padrão, como se fôssemos artistas pop que fazem rap.

Continua após o player https://open.spotify.com/intl-pt/album/2oM08HKSXGEuxgtlJ5HwNy Uma tempestade sobre o rap CUMULONIMBUS não soa como um álbum preocupado apenas em apresentar respostas.

Pelo contrário. Rashid parece interessado em incomodar. Em um momento no qual boa parte da indústria procura fórmulas capazes de prever a próxima música viral, ele constrói um trabalho baseado em perguntas que não cabem facilmente em uma planilha.

Por que as músicas estão assim? É esse tipo de conversa que quero levantar. Eu vejo várias pessoas incomodadas com esse momento, eu ouço essas reclamações em várias rodas de conversa.

Então, esse disco é uma ideia de juntar todo mundo na mesa pra trocar essa ideia". O título escolhido por Rashid ajuda a entender o estado de espírito do álbum.

Cumulonimbus são nuvens formadas pelo acúmulo de energia e associadas a grandes tempestades. No disco, essa imagem funciona como metáfora para inquietações que o rapper acumulou observando as transformações da cultura da qual faz parte há cerca de duas décadas.

Rashid chama o trabalho de um “álbum de descarrego”. E o que precisa sair não é apenas uma angústia pessoal. São incômodos relacionados à própria maneira como o rap passou a produzir, consumir e avaliar música.

Durante décadas, o rap lutou contra estruturas que tentavam enquadrá-lo. Criou seus próprios circuitos, estabeleceu sua própria linguagem e encontrou maneiras independentes de chegar ao público.

Agora que conquistou espaço dentro da indústria, Rashid teme que outra forma de enquadramento tenha surgido, desta vez por meio da padronização. A gente precisa, inclusive, dividir essa culpa: a imprensa especializada, os artistas, o público, as plataformas de música.

Todo mundo tem parcela de culpa porque todos ficaram resultadistas. O foco atual é o que dá fama, número e engajamento, esquecendo de formar e informar o público novo, que acaba achando que a cultura é só isso.

Beat, rima... e nada mais Para questionar para onde o rap está indo, Rashid decidiu primeiro lembrar de onde ele próprio veio. Depois de construir trabalhos conceitualmente ambiciosos e experimentar diferentes possibilidades sonoras ao longo da carreira, o rapper coloca novamente no centro da obra alguns dos elementos mais básicos da linguagem que o formou: beat, rima, samples, colagens e a palavra.

O movimento representa, sobretudo, uma descoberta pessoal depois de anos procurando expandir as próprias fronteiras. Eu entrei num momento que para evoluir como rapper precisava cantar ou trazer outros elementos pra minha música, mas cheguei num lugar onde percebi que o beat e a rima é o que eu mais gosto.

Eu amo tocar com banda ou construir músicas mirabolantes, mas essa é a minha raiz." Ao mesmo tempo, há uma diferença importante entre voltar ao passado e voltar à base.

CUMULONIMBUS está interessado na segunda possibilidade. Rashid não deseja reconstruir uma época específica do rap brasileiro; o que procura recuperar é uma relação com o fazer artístico: a dedicação à escrita, o cuidado com o beat, a construção de identidade e a compreensão da música como algo que pode carregar significado para além de seu desempenho comercial.

Para ele, essa mudança também acompanha uma transformação mais ampla na maneira como a sociedade estabelece seus símbolos de sucesso. O rap é um reflexo da sociedade.

No passado, a gente admirava artistas como Van Gogh, por exemplo, enquanto hoje as pessoas idolatram os acumuladores de capital. No rap, a gente viu uma geração de GOG, Mano Brown, Kamau, Parteum.

agora a gente vai deixar só os mais famosos, sem contar mais a qualidade do trabalho?” Uma contracultura dentro da própria cultura Se CUMULONIMBUS questiona quem ainda carrega a fome que movimentou o rap, uma das respostas aparece na música “Criado por Mulheres”.

Na faixa, Rashid homenageia as mulheres que participaram de sua formação pessoal, mas amplia esse reconhecimento para aquelas que também ajudaram a construir sua percepção artística.

O gesto ganha outra dimensão quando colocado dentro da discussão proposta pelo álbum. Para o rapper, enquanto parte da cena parece ter se acomodado nas fórmulas que acompanham o sucesso, são justamente as mulheres que hoje recuperam características historicamente associadas à atitude Hip-Hop.

As minas representam o que a gente sempre falou sobre a atitude do Hip-Hop. Elas têm senso coletivo, fome, preocupação de melhorar sempre, as entrevistas são incríveis.

Isso tudo enquanto muito cara não se preocupa com nada. Elas têm uma fome que os caras não têm mais, elas são meio que a contracultura". Entre os reencontros promovidos pelo álbum, um deles carrega quase duas décadas de história.

Rashid, Emicida e Projota, os Três Temores, surgiram em um momento determinante para a renovação do rap brasileiro. Vindos do circuito das batalhas, os MCs foram associados a uma geração em que habilidade técnica, freestyle e fome por espaço caminhavam juntos.

Ao longo dos anos, porém, suas trajetórias tomaram rumos distintos. O reencontro dos três em CUMULONIMBUS poderia facilmente se transformar em uma demonstração técnica.

Seria a escolha mais óbvia para artistas cuja relação nasceu, em grande parte, da rima. Mas Rashid percebeu que, depois de tudo que aconteceu, havia algo mais valioso para registrar.

A grande mensagem dessa faixa é que o que a gente tem de melhor para oferecer para a cultura é a nossa amizade. É tudo o que a gente fez junto, depois o que fizemos separados e nos juntamos pra fazer juntos novamente.

No final, essa é a coisa mais rica que temos para oferecer. A gente foi num lugar muito sensível, o Emicida perdeu a mãe há pouco, eu perdi meu pai, enquanto o Projota passou por muitas questões nos últimos anos.

Então, nós estávamos num lugar sensível muito verdadeiro. Não sei se é a maturidade que permitiu, mas chegamos num lugar muito emocionante". Em um álbum preocupado com aquilo que o rap perdeu ao crescer, a amizade também aparece como fundamento.

No final das contas, CUMULONIMBUS não condena o sucesso conquistado pelo rap, já que seria contraditório fazê-lo. Rashid é parte de uma geração que ajudou a construir as condições para que artistas pudessem viver da cultura sem necessariamente depender das antigas estruturas da indústria.

O que ele questiona é o preço cobrado por essa vitória. A principal pergunta é: qual estado queremos deixar a nossa cultura? Porque essa é a premissa das minhas reflexões do disco.

Antes, eu achava que podia salvar o mundo com uma lata de spray, hoje é o glamour que dita tudo.”.

Mas toda vitória também permite uma pergunta: o que se perde quando aquilo que nasceu como contracultura passa a fazer parte do centro da cultura? É olhando para essa contradição que o rapper Rashid constrói CUMULONIMBUS, seu novo álbum de estúdio.

Em entrevista exclusiva para o TMDQA!, ele explicou.

É uma reflexão sobre as coisas que são cruciais para o Rashid, para o rap. Essas coisas estão ficando em detrimento diante das demandas de mercado. A gente foi para um lugar onde tudo tem um padrão, desde o sorriso ao carro da pessoa.

Então, esse disco é uma ideia de juntar todo mundo na mesa pra trocar essa ideia”.

O título escolhido por Rashid ajuda a entender o estado de espírito do álbum. Cumulonimbus são nuvens formadas pelo acúmulo de energia e associadas a grandes tempestades.

A gente precisa, inclusive, dividir essa culpa: a imprensa especializada, os artistas, o público, as plataformas de música. Todo mundo tem parcela de culpa porque todos ficaram resultadistas.

Eu amo tocar com banda ou construir músicas mirabolantes, mas essa é a minha raiz.”.

O rap é um reflexo da sociedade. No passado, a gente admirava artistas como Van Gogh, por exemplo, enquanto hoje as pessoas idolatram os acumuladores de capital.

No rap, a gente viu uma geração de GOG, Mano Brown, Kamau, Parteum… agora a gente vai deixar só os mais famosos, sem contar mais a qualidade do trabalho?”.

Uma contracultura dentro da própria cultura.

Entre os reencontros promovidos pelo álbum, um deles carrega quase duas décadas de história. Rashid, Emicida e Projota, os Três Temores, surgiram em um momento determinante para a renovação do rap brasileiro.

Vindos do circuito das batalhas, os MCs foram associados a uma geração em que habilidade técnica, freestyle e fome por espaço caminhavam juntos. Ao longo dos anos, porém, suas trajetórias tomaram rumos distintos.

O reencontro dos três em CUMULONIMBUS poderia facilmente se transformar em uma demonstração técnica. Seria a escolha mais óbvia para artistas cuja relação nasceu, em grande parte, da rima.

Em um álbum preocupado com aquilo que o rap perdeu ao crescer, a amizade também aparece como fundamento. No final das contas, CUMULONIMBUS não condena o sucesso conquistado pelo rap, já que seria contraditório fazê-lo.

Fontes

Informação baseada em material público de Tenho Mais Discos Que Amigos, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Tenho Mais Discos Que Amigoslink

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