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Musica Revisado por ULTRA AI

Adéla compensa tudo o que arriscou em ‘Prima’

A estrela pop em ascensão atravessa histórias de sacrifício e entrega com uma confiança ousada em álbum de estreia maximalista

4 min de leitura
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A estrela pop em ascensão atravessa histórias de sacrifício e entrega com uma confiança ousada em álbum de estreia maximalista.

Adéla sente saudades de casa em “Therapy“, a penúltima faixa de seu álbum de estreia, Prima, que chega às plataformas digitais nesta sexta, 4. A balada tranquila — e com um som levemente distorcido — revela uma faceta diferente do fenômeno pop de 22 anos: nas nove músicas que antecedem “Therapy“, ela demonstra uma fome voraz pelo sucesso no mundo pop.

Na metade da música, a voz de Adéla soa abatida ao cantar sobre sua irmã mais nova, de quem esteve afastada durante sua jornada global para se consolidar no pop.

Adéla se rende (ainda que relutantemente) ao sacrifício e às dificuldades, pois sabe o quanto já abriu mão de coisas importantes. Ela se mudou para Los Angeles há quatro anos e, logo depois, foi uma das primeiras garotas eliminadas do Pop Star Academy, a série da Netflix que formou o grupo feminino Katseye.

Talvez ela tenha escapado de uma fria. Mas ela ainda tem um longo caminho pela frente e precisa fazer com que tudo valha a pena. Prima é uma estreia ambiciosa, impulsionada pela determinação, pelo potencial pop e por uma perspectiva perspicaz.

Como primeiro single do álbum, “KGB” se esforçou demais para convencer o ouvinte sobre algo que flui com muito mais naturalidade no restante do disco. “Você quer uma estrela pop com peitão para os grandes hits / Eu quero estourar para que esses bocudos não possam falar merda nenhuma”, Adéla canta.

A música perde o fôlego rapidamente, e a coreografia elaborada que ela apresenta no videoclipe pouco faz para salvá-la. Adéla encontra seu ritmo quando para de dizer que quer ser uma grande estrela e começa a mostrar exatamente por que deveria ser uma.

Em alguns momentos, parece que ela já é.

Quem quiser apresentar Adéla a alguém novo deve escolher “Nicole Kidman” antes de qualquer outra faixa. Ela entrega uma de suas performances vocais mais cativantes nessa música, sobre uma produção agitada e carregada de graves assinada por Blake Slatkin e Dylan Brady.

Adéla entrega letras desse tipo não com uma piscadela de brincadeira, mas mantendo um contato visual firme e inabalável. “Gosto sempre de estar no comando / É verdade, gosto dos meus garotos um pouco femininos”, ela canta em “I’m the Man”, sugerindo logo depois: “Por que você não vem sentar no meu colo?”.

Ela aposta ainda mais na ousadia e na energia vibrante em “Fantasize”. Ambas são faixas feitas para a pista de dança, mas não chegam nem perto do poder de atração hipnótico de “Boys”.

Nessa faixa, Adéla se inspira na fórmula de Britney Spears e cria uma música explosiva, destinada a dominar as paradas.

Prima tem o cuidado de não mergulhar fundo demais em referências a outros artistas, mas, às vezes, parece inevitável. Ela resgata a estética do auge do hyperpop de 2015 em “Marijuana”, com letras como “Tocando Nirvana, cavalgando em você no seu Honda / Gosto de como você me olha como se eu fosse a próxima Madonna”, e poderia ter deixado “Starving Artist” de fora do álbum.

A música poderia ter funcionado bem para alguém que não tem tanto a dizer.

Adéla batizou sua balada de piano sobre término de “Hitachi” — nome de uma marca de vibradores — e rimou “dirty shoes” (sapatos sujos) com “daddy issues” (problemas com o pai) na faixa de destaque “Red Bottoms“.

Há um otimismo em “Ain’t in LA” que, na última década, acabou soando um tanto cafona e teatral. A autoconsciência se enraizou na cultura coletiva, substituindo a liberdade necessária para lutar sem constrangimento ou para arriscar uma escolha que não parece a mais segura.

Adéla não pode se dar ao luxo de não correr esse risco. Sua confiança e atitude são essenciais para quem ela é como artista, e há mais esperando por ela lá fora.

Mesmo quando parece sobrecarregada pela pressão de provar o seu valor, Adéla conquista facilmente a nossa torcida. À medida que ela deixa a dúvida de lado e refina sua perspectiva, tudo começa a se encaixar.

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Fontes consultadas

  • Rolling Stone Brasillink

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