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Mundo Revisado por ULTRA AI

Trump faz aliança improvável com o chavismo visando petróleo

Guinada também é extraordinária para regime chavista, que fez do anti-imperialismo uma de suas bandeiras

3 min de leitura
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Em poucos meses, Delcy Rodríguez passou de vice de Nicolás Maduro a "altamente respeitada presidente interina da Venezuela", nas palavras de Donald Trump. A promoção veio no post em que o americano anunciou aquilo que chama de maior acordo petrolífero da história.

Maduro está preso em Nova York, depois de ter sido capturado numa operação dos Estados Unidos. O chavismo, porém, continua no poder, agora alinhado e tutelado por Washington, que acaba de obter controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo venezuelano.

O giro de Trump em relação a Delcy é tão impressionante quanto o tamanho do negócio. Horas depois de prender o ditador, o presidente americano ameaçou a então vice: se ela não fizesse "o que é certo", pagaria um preço até maior que o pago por Maduro.

Agora, é com a sucessora chavista que Washington negociou um acordo estratégico de petróleo.

O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o acordo é "parte importante da transição e da recuperação" do país. A aposta é que investimentos ajudem a reconstruir a economia e criem condições para a redemocratização.

Ou seja, nem os EUA nem Delcy estão com pressa em convocar eleições livres e independentes.

A guinada também é extraordinária para o chavismo, movimento que fez do anti-imperialismo uma de suas bandeiras. A própria Delcy acusava a oposição de querer entregar o petróleo aos seus "amos" em Washington.

Agora agradece a Trump e Rubio por tamanho acordo.

Washington também não esconde seus interesses. O acordo reduz a influência de China e Rússia. A Casa Branca fala em assegurar a "dominância americana" na região.

Os campos serão controlados pela empresa do venezuelano Alejandro Betancourt, alvo de um mandado suíço de prisão relacionado a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

A oposicionista María Corina Machado questionou a legitimidade de Delcy para negociar os recursos do país. Disse ainda que o petróleo é apenas parte da reconstrução e que não haverá desenvolvimento sem instituições sólidas e um governo eleito pelo voto popular.

A divergência expõe uma inversão importante. Washington aposta que petróleo, recuperação econômica e estabilidade ajudarão a levar a Venezuela à democracia. María Corina argumenta que instituições democráticas são necessárias para garantir a própria recuperação.

No presente, porém, quem administra o petróleo, a recuperação e a estabilidade é Delcy.

O acordo pode beneficiá-la no curto prazo: reforça sua ligação com Trump e reduz os incentivos americanos para pressionar por mudanças enquanto houver em Caracas uma liderança disposta a cumprir o negócio.

Isso não significa que Delcy esteja garantida no poder. O acordo é impopular, e seus benefícios podem demorar.

Mas o negócio criou um dilema que não existia quando Maduro caiu. Os EUA agora têm um enorme interesse econômico e estratégico atrelado à estabilidade venezuelana, além de uma "altamente respeitada" sucessora de Maduro encarregada de garanti-la.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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