A guerra lançada por Donald Trump contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28) e, se não tem um fim previsível no horizonte, já pode ter creditado em sua conta o desmonte do Oriente Médio como era conhecido nas últimas décadas.
O republicano isolou-se e buscou aplicar uma receita contraditória: ao mesmo tempo em que visa desengajar-se da região, lançou mão de intervencionismo para tentar forçar sua vontade —como os Estados Unidos fazem desde 1953, quando ajudaram a derrubar o governo hostil justamente no Irã.
O voluntarismo sem foco, base da Estratégia de Defesa Nacional de dezembro de 2025, e o sucesso da operação que capturou o ditador Nicolás Maduro levaram à escalada contra o Irã.
À soberba somou-se a lista de desejos de seu único aliado, ao menos nas cinco primeiras semanas de combates mais severos da empreitada, Binyamin Netanyahu.
O premiê de Israel queria ver a derrocada final da teocracia após ter tido sucesso no embate com seus prepostos regionais em resposta ao ataque dos terroristas do Hamas em 2023.
A sucessão confusa de "casus belli" elencados por Trump reforça a sensação de improviso.
O resultado foi pífio. A teocracia continua no poder apesar da decapitação do regime, personificado no líder supremo Ali Khamenei. As capacidades ofensivas do país foram degradadas, mas a campanha de retaliação contra aliados americanos na região não foi impedida.
Mais importante, Teerã ainda domina o estreito de Hormuz, cuja disrupção do tráfego de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito abalou o mercado. O barril referencial Brent acumula alta superior a 20% no ano.
O programa nuclear iraniano, o mais sólido caso para ir à guerra contra o país, continua uma incógnita. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, sem inspeções e sem saber o destino dos 411 kg de urânio enriquecido iraniano, a bomba atômica seguirá possível.
Com tudo isso, restou ao republicano o recurso constante ao Taco, acrônimo em inglês para o chiste "Trump sempre amarela". Ultimatos seguidos de tréguas, até com ameaça de genocídio, pontuaram as negociações.
Arranhou-se no processo a credibilidade militar dos EUA. Dois porta-aviões tiveram de deixar o conflito devido a problemas, e os estoques baixos de mísseis foram relatados como o motivo para que Trump deixasse sua campanha renovada de ataques em julho.