Soldados atacaram o principal aeroporto internacional de Niamey, capital do Níger, avançaram em direção ao palácio presidencial e tomaram brevemente a emissora nacional nas primeiras horas de sábado (29), segundo testemunhas.
O governo nigerino afirmou, em comunicado, que houve uma tentativa de insurreição, e uma pessoa com contatos dentro do regime militar que governa o Níger disse que se tratava de uma tentativa de golpe por parte de jovens oficiais descontentes com o governo de Abdourahamane Tchiani.
São jovens militares que estão fartos de Tchiani", disse ele ao Financial Times. "Eles tomaram o aeroporto, assumiram o controle dos drones turcos no aeroporto, tomaram a televisão e a rádio nacionais", acrescentou.
Tentaram chegar ao palácio, mas foram repelidos.
Um diplomata estrangeiro em Niamey confirmou ao FT que uma tentativa de golpe estava em curso, mas disse que o governo aparentemente havia conseguido retomar o controle de áreas do centro da capital.
Outra testemunha em Niamey, que, como as demais, falou sob condição de anonimato, afirmou que havia uma "tentativa de golpe em curso", com intenso tiroteio na noite de sexta-feira (28) e na manhã de sábado.
A situação se acalmou nas últimas duas horas", disse ele, ao falar por volta do meio-dia no horário local.
A emissora nacional do Níger interrompeu as transmissões na manhã de sábado, mas posteriormente voltou ao ar. Em seguida, foi transmitido um comunicado atribuído ao ministro da Defesa, Salifou Modi, confirmando que os amotinados haviam tentado confinar outros soldados no principal quartel de Niamey.
O comunicado acrescentou que os amotinados haviam disparado contra locais estratégicos em toda a capital e afirmou que as forças de segurança nigerinas conseguiram conter a situação e "retomar gradualmente o controle desses locais.
O Níger é governado por um regime militar desde que Tchiani liderou um golpe que derrubou o governo democraticamente eleito de Mohamed Bazoum, em julho de 2023.
Ele prometeu combater as ameaças de islamistas ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico, que vêm ganhando força há vários anos no Níger, assim como no Mali e em Burkina Fasso.
Bazoum permanece em prisão domiciliar desde então.
A situação no campo de batalha tornou-se cada vez mais grave desde o golpe e a expulsão dos soldados franceses que estavam no Níger. O aeroporto de Niamey, que abriga uma importante base militar, além de contingentes de soldados italianos e russos, foi atacado duas vezes pelo Estado Islâmico neste ano.
Segundo Andrew Lebovich, pesquisador do Instituto Clingendael, há uma frustração crescente entre muitos integrantes das Forças Armadas, que enfrentam uma situação difícil.
Nos últimos anos, houve motins esporádicos em quartéis por todo o Níger, afirmou.
Tem havido tensões entre oficiais de baixa patente por causa das derrotas no campo de batalha, assim como entre oficiais de alta patente em relação a questões geopolíticas mais amplas", disse Lebovich.
Por enquanto, não sabemos qual desses fatores predomina na configuração do que está acontecendo agora.
Ele acrescentou que a situação provavelmente prejudicaria as tentativas de conter o Estado Islâmico e o Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), grupo afiliado à Al Qaeda.
Paul Melly, especialista em África francófona da Chatham House, afirmou que os jovens oficiais estavam descontentes com a deterioração da situação de segurança.
A situação de segurança está imensamente pior. Os jovens oficiais, se forem mesmo eles, estariam dizendo: ‘Há três anos, as coisas estavam melhorando, mas vejam como estão agora’", afirmou.