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Seis meses depois, guerra no Irã vira o atoleiro que Trump prometeu evitar

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Outro dia, o presidente Donald Trump publicou uma imagem heroica de si mesmo tendo ao fundo um porta-aviões, aviões de guerra e bandeiras americanas. No canto inferior esquerdo, apareciam o ex-presidente George W.

Bush e uma placa com os dizeres: "Missão não cumprida, 2001-2021". No outro canto, havia uma placa em referência a ele próprio: "Missão cumprida, 2026.

Só que não está. A guerra de Trump no Irã, que completou seis meses na sexta-feira (28), está longe de ter sido concluída. Meio ano depois, o conflito se deteriorou e se transformou em um atoleiro criado pelo próprio presidente, sem objetivos claros, estratégia evidente ou fim à vista.

Trump, que chegou ao poder fazendo campanha contra as "guerras eternas" de Bush, apostou sua Presidência em uma versão própria delas.

Para Trump, talvez seja o pior dos dois mundos. Ele se vê preso em um purgatório exasperante entre um combate em grande escala e a paz verdadeira. Reluta em retomar um bombardeio total, apesar de suas ameaças estrondosas, mas até agora não conseguiu mediar um acordo que encerre a guerra em termos satisfatórios.

Não tem uma vitória da qual possa reivindicar o mérito, mas paga o preço político pelos impactos sobre a economia dos Estados Unidos e sobre as chances de seu partido nas eleições de meio de mandato.

Em tese, esse tipo de estagnação intermediária poderia se prolongar por muito tempo, muito distante do ataque-relâmpago de quatro a seis semanas que Trump previu ao ordenar a Operação Fúria Épica no fim de fevereiro.

Sem nenhum avanço decisivo à vista, os dois lados testam a resistência um do outro, e Trump, apesar de seu histórico de impaciência, deixou claro que "não tem pressa.

Não há muito o que conversar", disse ele a jornalistas na quinta-feira (27), rejeitando qualquer interesse em negociar com o Irã neste momento. "Não queremos falar com eles; não estamos procurando nos reunir nem nada disso.

O estreito está aberto; estamos recebendo muitos navios —milhões e milhões de barris de petróleo saem do estreito todos os dias.

Na realidade, o estreito de Hormuz continua sendo uma passagem volátil, com apenas uma fração do tráfego marítimo anterior à guerra, o que mantém os mercados de petróleo instáveis.

Embora a guerra tenha matado o líder supremo do Irã, ele foi substituído pelo filho, e o regime brutal que estava no poder há seis meses continua no comando hoje.

O programa nuclear iraniano foi danificado, mas Teerã ainda se recusa a abandoná-lo.

Tem sido um fiasco", disse Richard Haass, que era diretor de planejamento de políticas do Departamento de Estado quando Bush invadiu o Iraque, em 2003. "Essa é a dura realidade.

Ele pode declarar ‘missão cumprida’. Pode tentar vender esse argumento, como costuma fazer, quase como se pudesse criar uma realidade. Mas será muito, muito difícil convencer as pessoas.

Não há nada que indique que estamos em uma situação melhor ou que a guerra valeu a pena.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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