Qatar e Paquistão prosseguem esforços para relançar as negociações entre os Estados Unidos e o Irão, com responsáveis a falar diariamente com as partes para explorar possíveis caminhos, afirmou na terça-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar.“Os nossos responsáveis estão diariamente ao telefone a trabalhar em novas ideias, em formas de regressar às negociações”, disse Majed Al-Ansari aos jornalistas em Doha.
Al-Ansari não adiantou pormenores sobre as propostas em debate, mas garantiu que o Qatar continua focado em alcançar uma solução diplomática para a guerra em curso entre os dois lados.“A nossa prioridade foi sempre chegar a uma solução diplomática através de conversações”, afirmou.
Qatar e Paquistão têm atuado como principais mediadores entre os Estados Unidos e o Irão desde o início da guerra, no final de fevereiro. As declarações de Al-Ansari surgem depois de o chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, ter visitado Teerão para reuniões com altos responsáveis iranianos, no quadro de esforços para reduzir as tensões regionais e relançar as negociações.
A visita coincidiu com um alargamento das sanções norte-americanas contra o Irão, que Washington batizou de “Operação Pária Económica”. Teerão prometeu resistir às medidas, enquanto o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, afirmou que as conversações na capital iraniana registaram “progressos significativos”.
Questionado sobre se as novas sanções podem apoiar os esforços para pôr fim à guerra, Al-Ansari respondeu que se trata de medidas unilaterais, e não de sanções da ONU ou multilaterais, e que quaisquer questões sobre o seu objetivo devem ser dirigidas aos países que as impõem.
Qatar pede reabertura imediata do estreito de HormuzAl-Ansari afastou também a possibilidade de o Qatar negociar um acordo separado com o Irão para garantir a passagem das suas exportações de energia através de Hormuz.“Este é um problema regional que exige uma solução regional.
Não pode ser tratado bilateralmente com o Irão”, afirmou.“O Irão encerrou o estreito de Hormuz de uma forma que ultrapassa o direito marítimo internacional e as relações de boa vizinhança.
Isto tem de terminar de imediato.”Indicou que Doha pretende ver restaurada a liberdade de navegação nas condições que existiam antes do início da guerra. O estreito é uma via essencial para o abastecimento energético mundial e é particularmente importante para o Qatar, um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito.
As perturbações na navegação naquela passagem têm atrasado entregas de energia e alimentado preocupações sobre o fornecimento global. Al-Ansari reconheceu que outros países têm legitimidade para negociar os seus próprios entendimentos com o Irão, mas insistiu que o Qatar prefere um diálogo regional a acordos separados de passagem segura.“Para nós, no Qatar, a prioridade passa por um diálogo regional sobre esta questão”, disse.
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Acrescentou que as negociações são “a única saída para esta crise” e apelou a que ambos os lados participem de boa-fé.
Fontes
Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.