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Mundo Revisado por ULTRA AI

Política virou refém da realidade distorcida das redes sociais

Ao priorizar engajamento e controvérsia, plataformas criam uma estufa que empurra usuários para os extremos

3 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Tenho visto alguns argumentos sobre por que qualquer pessoa que esteja minimamente à esquerda deveria abandonar o X, de Elon Musk. Ned Resnikoff, autor do manifesto YIMBY "Build or Die", apresenta uma versão desse argumento.

Musk, escreve ele, está "deliberadamente construindo um ambiente imersivo no qual o extremismo de direita não está apenas presente, mas é onipresente". Continuar publicando em sua plataforma de mídia social —mesmo a partir da esquerda, mesmo como crítico de Musk— significa atrair olhares e energia para uma plataforma que, em última instância, Musk controla e usa como bem entende.

É evidentemente verdade que Musk transformou o X em um instrumento para direcionar a atenção do mundo para suas posições políticas pessoais. Em junho, por exemplo, Musk se encantou por "Citizen Vigilante", filme em que um viajante americano na Europa, interpretado por Armie Hammer, inicia uma matança contra imigrantes muçulmanos e autoridades governamentais progressistas que os tratam com condescendência.

Ele disponibilizou o filme gratuitamente em sua conta por 48 horas e o impulsionou ao topo de vários rankings de streaming e ao centro do debate cultural.

Isso ocorreu pouco depois de Musk promover os protestos anti-imigração em Belfast ("Keir Starmer claramente odeia pessoas brancas", dizia uma das mensagens que ele amplificou), que, por sua vez, ocorreram em meio à contínua promoção que Musk faz do partido alemão de extrema direita AfD ("Só a AfD pode salvar a Alemanha") e aos vultosos gastos dele em apoio ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano.

Também sabemos que Musk restringiu o alcance de links para publicações das quais não gosta e, em determinado momento, acrescentou à NPR o rótulo de "mídia afiliada ao Estado.

Até que ponto as opiniões de Musk estão incorporadas ao funcionamento do algoritmo do X? Um estudo liderado por Germain Gauthier, da Universidade Bocconi, na Itália, reuniu quase 5.

000 usuários do X nos Estados Unidos e os designou para acompanhar, durante sete semanas, o feed algorítmico ou cronológico da plataforma. Os usuários designados para o feed algorítmico viram mais conteúdo de direita e se deslocaram para a direita em suas próprias posições políticas.

Esse estudo foi realizado em 2023. Desde então, Musk integrou o algoritmo do X à sua inteligência artificial Grok e publicou grande parte do código do algoritmo.

Há divergências sobre se isso representa transparência suficiente para inspirar confiança. Para mim, não representa. Sabemos que o Grok foi repetidamente direcionado para posições de direita, inclusive durante um período em que a IA respondia a perguntas inofensivas com discursos inflamados sobre "genocídio branco.

Musk tem direito a suas posições políticas, mas é ingênuo fingir que o X, sob sua propriedade, tenha sido ou venha a ser uma plataforma neutra. Ele pode mudar o sistema como quiser, quando quiser —e fará isso.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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