Onde Disponível nos principais tocadores Produção The Observer O quanto sabemos sobre as esposas de ditadores? Algumas entraram para o folclore por seus hábitos extravagantes de consumo, como a filipina Imelda Marcos, célebre por sua imensa coleção de sapatos de grife.
Outras, pela influência que acumularam nos bastidores dos regimes de seus maridos, como Jiang Qing, a "Madame Mao", que durante anos foi a mulher mais poderosa da China maoísta.
Asma al-Assad, casada com Bashar al-Assad, que foi ditador da Síria, quase conseguiu um feito muito mais raro: o de construir uma boa imagem pública.
No início de 2011, a revista Vogue publicou um extenso perfil sobre Asma. Com o título "Rosa do deserto", a revista de moda descreve a primeira-dama como dinâmica, jovem, glamourosa e "muito chique —a mais fresca e magnética das primeiras-damas.
Elogiada por seu "estilo Ocidental", ela é um contraponto ao "luxo e ostentação do poder no Oriente Médio" e pretende modernizar o país, diz a Vogue.
Menos de duas semanas depois da publicação, a Primavera Árabe chegou à Síria, com protestos pedindo a queda de Bashar, à frente do regime desde a morte de seu pai, o também ditador Hafez al-Assad, em 2000.
A eclosão das manifestações gerou uma crise de reputação não apenas no palácio dos Assad, mas também nos corredores da revista.
A mítica editora Anna Wintour liderou uma operação para recolher todas as edições com o perfil da primeira-dama síria das bancas. Um detalhe torna a situação toda mais surreal: o texto havia sido emplacado por uma assessoria dos Estados Unidos especializada em melhorar a imagem de ditadores mundo afora.
São bastidores como estes que a jornalista Chloe Hajimatheou explora em "We Call Her Emma" (Nós a chamamos de Emma), o recém-lançado podcast do jornal inglês The Observer que traça um perfil de Asma Al-Assad.
Para os britânicos, a figura da primeira-dama síria tem um apelo de curiosidade adicional: ela é nascida e criada em Londres.
É daí, aliás, que advém o título da série. Até o casamento, Asma era conhecida em Acton, o bairro londrino de classe média onde morava com os pais, um médico e uma dona de casa sírios, como Emma Akhras.
Formada em ciência da computação no King's College, Emma/Asma trabalhou no mercado financeiro, primeiro no Deutsche Bank e depois no J. P. Morgan até que, em 2000, desapareceu do trabalho.
Os colegas vêm a saber que ela está na Líbia, onde ficará por três semanas hospedada… em uma das propriedades do ditador Muamar Gaddafi no deserto. Está acompanhada do noivo, o oftalmologista e futuro ditador Bashar.
Voltou apenas para pegar suas coisas e mudar, de vez, para a Síria.
Ao longo de seis episódios, a jornalista vai e volta na questão central: Asma foi uma vítima do regime sírio, enganada para entrar em um casamento com um homem autoritário do qual não conseguiu mais sair, ou participante ativa das atrocidades que o governo encabeçado pelo marido viria a cometer.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.