A avalanche de lama e gelo que devastou a região central do Nepal na última quarta-feira (26) se soma à crescente lista de desastres possivelmente influenciados pelas mudanças climáticas ao redor do mundo.
A imprensa local já classifica a tragédia como a de maior impacto econômico da história do país.
O Nepal, no entanto, pouco tem a ver com a causa do aquecimento global: emitiu historicamente apenas 0,05% dos gases de efeito estufa que aquecem o planeta.
Países que não contribuíram em praticamente nada, ou cuja contribuição foi mínima [para a crise climática], estão pagando a maior parte da conta dos impactos climáticos.
Essa desigualdade precisa ser enfrentada em âmbito global", afirma o especialista em diplomacia climática Manjeet Dhakal.
O nepalês é negociador do grupo dos Países Menos Desenvolvidos nas conferências sobre mudança do clima das Nações Unidas. Com 46 nações, o bloco reúne algumas das nações mais pobres do mundo.
Em entrevista à Folha, Dhakal ressaltou como o descumprimento de promessas de financiamento pelos países ricos diminui a capacidade de adaptação aos eventos climáticos extremos e amplia desigualdades.
Como essa resposta global não tem sido tão eficaz, apesar dos acordos firmados no processo multilateral, muitos dos países vulneráveis são obrigados a redirecionar [ao clima] recursos destinados a necessidades básicas, como saúde, educação e construção de outras infraestruturas, o que torna esses países mais pobres", diz ele, acrescentando que esse processo leva também a mais endividamento.