Modelo amplamente utilizado remonta ao Século 16; ele contém distorção que amplia massas de terra mais distantes da linha do Equador e reduz regiões como África, América Latina e Sul da Ásia; proposta, que recebeu 164 votos favoráveis, se baseia em dados científica e reparação histórica.
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por 164 votos favoráveis nesta sexta-feira uma resolução que pretende ajustar a forma como o mundo é representado nos mapas.
A proposta, intitulada “Corrija o mapa”, busca alterar a representação cartográfica global para mostrar de forma mais justa algumas regiões do mundo.
O texto afirma que a projeção de Mercator, concebida no século 16 para fins de navegação, continua sendo amplamente utilizada em materiais educacionais, midiáticos, digitais e oficiais.
Esse modelo, no entanto, contém uma distorção que faz com que as massas de terra ao Norte e ao Sul da linha do Equador sejam ampliadas e torna a África, a América Latina e o Sul da Ásia proporcionalmente menores.
O texto, aprovado na Assembleia Geral, argumenta que isso “perpetua uma visão desequilibrada do mundo”.
Nesse sentido, o texto afirma que corrigir distorções cartográficas de dimensões continentais constitui um ato “de justiça cognitiva e reparação memorial”, fomentando a compreensão mútua entre os povos.
A União Africana União adotou o modelo “Terra Igual”, uma projeção cartográfica que representa com mais precisão as dimensões de todos os continentes, particularmente a África.
A aprovação da resolução encoraja a adoção da “Terra Igual” por governos, organizações internacionais e outras entidades, favorecendo uma representação mais precisa das áreas reais dos continentes.
Ao discursar antes da votação, o ministro das Relações Estrangeiras de Togo, país que lidera a iniciativa, declarou que a aprovação envia uma mensagem importante, de que a Assembleia Geral acredita na “verdade científica”.
Robert Dussey adicionou que a decisão tomada nesta sexta-feira também reforça a equidade de representação e a dignidade dos povos. Para ele, não se trata apenas de corrigir um mapa e sim de corrigir a percepção.
A resolução, que conta com apoio da União Africana, considera que os mapas constituem uma ferramenta educacional, científica e cultural fundamental que “molda a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos”.
Segundo o texto, as distorções têm impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos e constituem “vieses históricos, cuja correção promoverá reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.
Além disso, o Pacto para o Futuro, adotado pelos Estados-membros da ONU em 2024, enfatiza a necessidade de eliminar os vestígios de desigualdades históricas e estruturais e de erradicar todas as formas de discriminação.
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