Em entrevista a jornalistas antes da chegada de líderes internacionais a Nova Iorque, líder da organização António Guterres diz que é preciso agir agora ou será tarde demais; em português, ele citou conflitos duradouros e disse que ao sair do posto, vai voltar a Portugal.
Nesta quarta-feira, o secretário-geral, António Guterres, lançou um apelo aos líderes globais sobre a urgência de “cumprirem suas promessas antes que seja tarde demais”.
Em mensagem, Guterres declarou que o mundo enfrenta a “hora da verdade” na busca incansável pela paz, pela justiça e pelo estabelecimento de regras rígidas para a inteligência artificial, IA.
Em resposta a um jornalista durante o pronunciamento feito às vésperas da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral, entre 22 e 28 de setembro, o secretário-geral da ONU ofereceu um diagnóstico alarmante sobre o cenário atual.
Este ano, o tema central do encontro global de representantes, incluindo chefes de Estado e de Governo, é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Com uma declaração aos líderes, o secretário-geral usou o discurso a jornalistas destacando que estes honrem seus compromissos, vivam os valores da Carta da ONU e defendam de forma implacável o direito internacional e princípios humanos para todos.
António Guterres apontou um cenário marcado pelo reposicionamento de poder geopolítico e por incertezas crescentes, enfatizando que a modernização das instituições multilaterais.
Para ele, isso não pode significar o abandono dos princípios essenciais da cooperação internacional, mas sim a sua aplicação com determinação ainda maior.
Na entrevista, ele mencionou que a crise no Oriente Médio está no topo da urgência global, estabelecendo a desescalada imediata, a diplomacia e o diálogo não como opções, mas como as únicas rotas de sobrevivência.
O secretário-geral exigiu ainda o fim absoluto do derramamento de sangue civil, a garantia inegociável de auxílio total em Gaza e a interrupção imediata da anexação silenciosa da Cisjordânia, reivindicando paz, segurança e dignidade para todos.
Para o líder da ONU urge restaurar a plena liberdade de navegação nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandab, enfatizando de forma categórica que a estabilidade na região depende, impreterivelmente, da concretização da solução de dois Estados.
Em relação à guerra na Ucrânia, agora em seu quinto ano marcando imenso sofrimento civil e severas repercussões globais, a mensagem foi de que é imperioso um cessar-fogo imediato como passo inaugural rumo a uma paz justa, duradoura e estritamente alinhada às resoluções das Nações Unidas.
Para além das fraturas geopolíticas, o alerta do secretário-geral voltou-se para três ameaças existenciais atuais: a escalada da crise do clima, a piora intolerável das desigualdades e os riscos vertiginosos de uma inteligência artificial sem controle.
Embora reconhecido o vasto potencial da IA para impulsionar o desenvolvimento e fortalecer os sistemas públicos, ele advertiu que o ritmo do avanço tecnológico está atropelando a capacidade internacional de compreender e mitigar seus perigos.
Diante dessa realidade, ele cobrou responsabilidade direta dos governos, exigindo proteções nacionais robustas e uma coordenação global indispensável.
António Guterres deixou claro que iniciativas neste campo baseadas apenas em pausas voluntárias ou isoladas já não são suficientes para proteger a sociedade.
Questionado sobre o maior legado dos seus dois mandatos, o secretário-geral destacou como histórica a paridade de gênero alcançada na alta liderança das Nações Unidas.
Ao refletir sobre os obstáculos e inevitáveis reveses que marcaram sua década à frente da organização, ele revelou que sugeriria a quem o suceder que mantivesse a autenticidade e seguisse rigorosamente a própria consciência.
Como grande lição final, o chefe da ONU alertou que um mundo cada vez mais multipolar, a profunda reforma das instituições globais não é apenas uma escolha, mas uma exigência absoluta para que voltem a ser verdadeiramente eficazes.
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