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O cálculo eleitoral que pode levar a extrema direita ao poder regional na Alemanha

Os olhos de toda Alemanha se voltam neste domingo (6) para a região da Saxônia-Anhalt, onde os eleitores poderão dar uma vitória no parlamento local ao partido

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O cálculo eleitoral que pode levar a extrema direita ao poder regional na Alemanha

Os olhos de toda Alemanha se voltam neste domingo (6) para a região da Saxônia-Anhalt, onde os eleitores poderão dar uma vitória no parlamento local ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

As pesquisas apontam que há chances de a AfD conseguir formar, pela primeira vez, maioria para governar um dos 16 estados alemães. Tudo dependerá de uma matemática complexa que envolve o desempenho dos partidos da parte de baixo da tabela das pesquisas eleitorais.

Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha.

Nos parlamentos estaduais alemães, assim como em todo sistema parlamentarista, quem ganha nem sempre é quem leva. Não basta ser o mais votado: é preciso ter mais de 50% das cadeiras do parlamento para indicar o primeiro-ministro.

Na Saxônia-Anhalt, a AfD está liderando as pesquisas com 43% das intenções de voto, o que, se se confirmar, será a maior votação que o partido já fez em qualquer eleição anterior.

A AfD já foi o partido mais votado na região da Turíngia em 2024, mas ficou longe de conseguir formar uma maioria. Isso acontece porque todos os outros partidos se recusam a fazer parte de uma coalizão com a AfD, já que consideram as propostas do partido uma ameaça à Constituição Federal da Alemanha.

Em segundo lugar nas pesquisas da Saxônia-Anhalt vem o partido conservador CDU, que atualmente governa o Estado, mas aparece com apenas 22% das intenções de voto, seguido pelo partido de extrema-esquerda Die Linke, com 12%, e pelos social-democratas do D, que representam a esquerda tradicional alemã, com apenas 7%.

Diante desse cenário, pode até parecer impossível que a AfD forme uma maioria ao obter 43% dos votos. Entretanto, a regra da cláusula de barreira, que também tem assustado alguns partidos brasileiros para a eleição de outubro, pode viabilizar uma vitória.

A cláusula de barreira no estado da Saxônia-Anhalt determina que só quem atingir no mínimo 5% dos votos entra no cálculo da distribuição proporcional das cadeiras do parlamento local.

Nesse contexto, em alguns cenários, é possível a AfD atingir a maioria mesmo sem fazer 50% dos votos. As pesquisas apontam que tanto o partido liberal FDP quanto o partido de esquerda populista BSW não atingirão este mínimo de votos.

O fator decisivo serão os Verdes, que na pesquisa estão fazendo exatamente 5%. Se os Verdes não chegarem a 5%, serão excluídos da contagem e abre-se então uma possibilidade concreta de maioria absoluta para a AfD.

A CDU se vê diante de um dilema histórico. Esta semana foi de intenso debate dentro do partido, inclusive com participação do chanceler Friedrich Merz. Há divergência interna sobre a conservadora CDU aceitar formar uma coalizão com o Die Linke, que vem logo em seguida nas pesquisas e que aportaria seus 12% dos votos.

Esta seria, em princípio, a única possibilidade de a CDU conseguir formar um governo.

Em tempos mais recentes, os conservadores não têm tido problemas em se aliar com os social-democratas ( D), que representam a centro-esquerda da Alemanha. Mas o Die Linke é rechaçado pela maioria dos líderes conservadores por ter propostas consideradas radicais demais à esquerda.

O chanceler Merz deu o seu veredito no início da semana: disse que nem a AfD, nem o Die Linke devem ser parceiros de governo da CDU. Mas ele apontou a solução encontrada em outros dois estados, a Turíngia e a Saxônia, como uma saída.

Lá, a CDU consegue operar como uma espécie de governo de minoria, com maiorias variáveis e pontuais. Isso ocorre quando os partidos de oposição, como o Die Linke, toleram um primeiro-ministro de outro partido sem fazer parte da coalizão.

É o que pode acontecer agora na Saxônia-Anhalt: outros partidos poderiam aceitar a permanência no cargo do atual primeiro-ministro da CDU, Sven Schulze, sem necessariamente integrar uma coalizão, como forma de evitar um governo da AfD.

A Saxônia-Anhalt deverá ser o campo de testes das ideias autoritárias do líder local da AfD, Ulrich Siegmund. O plano de governo foca principalmente em fazer mudanças nas políticas de educação e imigração, como a criação de 300 vagas de detenção para deportados e a conversão do centro de acolhimento de refugiados em Stendal em um centro de detenção.

Na educação, a ideia é revogar a obrigatoriedade de crianças frequentarem a escola, dando a opção do ensino em casa. Também propõe mudar o sistema como juízes e magistrados são escolhidos.

Especialistas dizem que a maioria dessas propostas vai esbarrar na legislação federal, que impede grande parte das medidas. Um governo estadual da AfD poderia, portanto, virar uma permanente batalha jurídica.

Setembro ainda terá eleições municipais na Baixa Saxônia, no dia 13, e, no dia 20, duas eleições estaduais. Na de Berlim, pesquisas apontam a AfD em terceiro, com 18% das intenções de voto.

Na eleição do estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD lidera com 35% das intenções de voto, mas com poucas chances de chegar a uma maioria para governar.

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Fontes consultadas

  • RFI Portuguêslink

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