Mortos passam de mil e milhares continuam desaparecidos após colapso de geleira; sobreviventes enfrentam escassez de alimentos e dificuldades no acesso à água potável; desastre natural expõe mulheres a riscos de violência, exploração e tráfico humano.
O rastro de destruição provocado pelo colapso de uma geleira na fronteira entre a China e o Nepal já deixa mais de mil mortos e supera 4,7 mil desaparecidos.
Quase uma semana após o desastre, as chuvas de monção castigam a região, dificultando as buscas e mantendo áreas inteiras sob risco iminente de novas tragédias.
Do lado chinês da fronteira, autoridades confirmam 16 mortos e 546 desaparecidos.
O acesso às áreas isoladas e os riscos contínuos marcam as buscas quase uma semana após a tragédia. Equipes de resgate da Cruz Vermelha só agora começam a alcançar regiões arrasadas e isoladas, como o distrito de Rasuwa.
A instituição revelou que as operações de busca correm contra o tempo sob chuvas torrenciais incessantes, em um cenário onde os riscos de novos desabamentos permanecem reais e imediatos.
Já a ONU Mulheres estima que 43 mil mulheres e meninas no Nepal necessitem de assistência humanitária imediata, em decorrência das cheias repentinas que atingiram o país no dia 26 de agosto.
Parceiros da agência no local revelam que as sobreviventes enfrentam uma progressiva escassez de alimentos, dificuldades crescentes no acesso à água potável e um agravamento dos riscos associados à sua proteção.
A partir de Genebra, a diretora regional do departamento para a Ásia e o Pacífico, Christine Arab, compartilhou os últimos relatos das organizações lideradas por mulheres que atuam nas regiões mais afetadas pelas cheias.
Uma dessas entidades revelou como, em muitas das comunidades visitadas, grávidas e pessoas com deficiência foram levadas pelas enchentes, incapazes de se deslocar para locais seguros.
Para as mulheres das zonas mais afetadas, a alimentação é a prioridade mais urgente. O acesso à água potável também foi completamente cortado, devido à destruição dos sistemas de abastecimento de água, estradas e pontes.
A diretora destacou o impacto dos desastres naturais no risco de violência de gênero, exploração e tráfico de seres humanos.
A agência da ONU estima que, em alguns dos distritos mais afetados, uma em cada três mulheres seja analfabeta, o que também dificulta o acesso aos serviços de apoio e às informações sobre eles.
A mesma estatística aplica-se ao número de lares atualmente chefiados por mulheres. Christine Arab destaca relatos de um aumento acentuado do trabalho de cuidados não remunerados, em um momento no qual as mulheres já prestavam 85% desse tipo de serviço antes da catástrofe.
As organizações lideradas por mulheres são parceiras essenciais para a resposta humanitária.
No entanto, a experiência com as cheias de 2021 e 2025 demonstra que as mulheres não estiveram significativamente envolvidas no pedido ou na recepção de assistência.
A agência sublinha que a resposta humanitária deve reconhecer as experiências das mulheres e meninas, incluindo-as como agentes imprescindíveis para a recuperação do Nepal.
Em números
- De uma geleira na fronteira entre a China e o Nepal já deixa mais de mil mortos e supera 4,7 mil desaparecidos
- Do lado chinês da fronteira, autoridades confirmam 16 mortos e 546 desaparecidos
- Já a ONU Mulheres estima que 43 mil mulheres e meninas no Nepal necessitem de assistê
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