Embaixador do Unicef e ícone da música moçambicana propõe mudança urgente na educação frente aos desafios do século 21; artista sugere uma revolução sustentável e emocional unindo tecnologia, meio ambiente e valores humanos.
O músico moçambicano Stewart Sukuma é embaixador da Boa Vontade do Fundo da ONU para a Infância, Unicef. Ele disse ao Podcast ONU News que a escola precisa ir além da teoria e preparar de forma genuína as jovens gerações para lidar com o mundo moderno.
Em entrevista, de Lisboa, o artista alertou sobre o que chama desacerto entre a rápida evolução da tecnologia e o ensino nas salas de aula, observando que não se pode manter a educação de décadas atrás.
Stewart Sukuma foi a primeira celebridade de seu país a assumir o papel de embaixador do Unicef. Após interagir com escolas locais, disse que o modelo tradicional estagnou ao focar apenas na memorização de conteúdos e no acúmulo de notas que “não responde ao Século 21, com crises sociais e ambientais”.
Para o músico, uma revolução verde junta o respeito pelo meio ambiente e o cuidado com a preservação do planeta como prática diária. A seguir, a formação humana no centro do aprendizado estimularia a empatia, o amor e a cooperação entre as pessoas.
Por fim, Stewart defende que seja promovida uma consciência social para preparar as crianças para o uso ético da tecnologia, em favor da paz em vez de polarizações e divisões.
A opinião do artista é que a tecnologia e a informação avançaram, mas esse crescimento só faz sentido se a humanidade e o respeito ao próximo crescerem ao mesmo ritmo.
O embaixador do Unicef realça que tecnologia e internet viraram rotina, mas aprender de forma verdadeira vai muito além de dominar matérias ou aparelhos digitais: crianças precisam saber cuidar umas das outras e do lugar onde vivem.
Para o músico moçambicano, a par do respeito pela natureza e do cuidado com o meio ambiente, a parte emocional do aprendizado deve enfatizar o amor, a empatia e a ajuda mútua aspirando fazer convergir conhecimento e convivência pacífica.
Essa mudança seria ainda mais urgente “em lugares onde a vida é mais dura”. No exemplo de países como Moçambique, ele enfatizou que faltam recursos e as salas de aula demoram mais para mudar, deixando muitas crianças para trás.
A estrela da música afro-pop-jazz frisa ainda o papel das redes sociais, que também dominam conflitos e divisões, exemplificando que o avanço da tecnologia só faz sentido se também fizer crescer como seres humanos.
O convidado toca o ritmo local, a marrabenta, e ainda o afro-pop-jazz, em para estar “construindo pontes”. Como voz ativa da cultura, Stewart Sukuma liderou com um projeto com dezenas de artistas moçambicanos pelo fim do recente conflito.
A nível externo, ele dividiu palcos e ideias com ícones da música popular brasileira, além de astros de Portugal, Angola e Cabo Verde. Stewart disse estar a caminho de Macau e de outros contextos da diáspora lusófona.
Além de uma mudança na educação, o músico lembrou que ninguém transforma o mundo sozinho. Para isso defende que precisa haver uma união de artistas, pessoas comuns, empresas e governos em “grande corrente do bem” pela paz.
Stewart Sukuma deixou um recado para os jovens, resumindo os princípios-guia da própria vida: uma receita feita de honestidade, consciência e pé no chão para nunca desistir.
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