Um exercício militar da Otan levou a crise entre a aliança militar ocidental e a Rússia para os confins do Ártico, uma das fronteiras de atrito mais complexas do planeta.
Desde o dia 26 de agosto, forças da Otan realizam uma manobra chamada Atlantic City-2026, visando posicionar de forma rápida forças de mísseis para interdição de espaço aéreo e naval nos mares entre a Noruega e a Groenlândia.
Pela primeira vez desde 2024, a Otan enviou para o exercício uma bateria da versão móvel de lançamento terrestre do míssil de cruzeiro americano Tomahawk, instalada em Trondheim (Noruega).
A arma está sendo racionada devido ao alto gasto na guerra contra o Irã, estimado em um quarto dos 4. 500 mísseis em estoque. O modelo foi negado à Ucrânia para atacar a Rússia no conflito que opõe os aliados ocidentais de Kiev e Moscou.
A versão móvel terrestre de lançamento do míssil, naval na origem, permite disparar variantes com alcance de até 2. 500 km. É o dobro do necessário para atingir as bases da Frota do Norte russa, e ainda sobra para alvejar até a capital russa.
Além disso, forças britânicas, americanas e norueguesas instalaram modelos de menor alcance e defesa antiaérea na ilhota de Jan Mayen, que fica cerca de 1. 000 km distante da costa do país nórdico.
Um cargueiro A-400M Atlas da Força Aérea Real trouxe baterias e blindados, além de soldados.
Com a crescente atividade militar da Rússia e o maior interesse da China no Ártico, os Aliados concordam que precisam fazer mais", diz uma nota da Otan acerca do lançamento do Sentilena Ártico, o guarda-chuva de operações que incluem a Atlantic City —nome de uma base da Segunda Guerra em Jan Mayen.
A ilha fica no meio da estratégica brecha Giuk, acrônimo inglês para Groenlândia, Islândia e Reino Unido, que indica os limites laterais dos corredores por onde submarinos nucleares e navios da Frota do Norte russa passam rumo ao Atlântico Norte.
A instalação das forças, que deve terminar nesta sexta (4), coincide com um momento de alta tensão com a aliança, em particular com a própria Noruega.
Oslo apreendeu um navio de cruzeiro russo no Ártico no fim da tarde de quarta (3) perto de Svalbard, arquipélago do país nórdico que fica na área do exercício militar.
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