Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre Hiroshima. Três dias depois, em 9 de agosto, outra bomba atingiu Nagasaki. Os ataques mataram mais de 210 mil pessoas, considerando também as mortes provocadas posteriormente pela exposição à radiação.
Foram os únicos casos de uso de armas nucleares em um conflito armado.
O aniversário dos ataques ocorre em meio a mudanças importantes na política de defesa japonesa. A primeira-ministra Sanae Takaichi está conduzindo uma ampla revisão da estratégia nacional de defesa, diante do fortalecimento militar da China e da Coreia do Norte e das incertezas sobre o papel dos Estados Unidos na segurança regional.
Desde 1967, o Japão segue os chamados três princípios não nucleares: não possuir armas nucleares, não produzi-las e não permitir que sejam introduzidas em seu território.
A manutenção desses princípios entrou no centro do debate político.
Durante a cerimônia em Hiroshima, na quinta-feira, Takaichi foi questionada diretamente pelo sobrevivente Satoshi Tanaka sobre uma possível mudança nessa política.
A primeira-ministra respondeu que o Japão “atualmente” segue os três princípios, mas não esclareceu se pretende mantê-los no futuro.
A resposta provocou preocupação entre os sobreviventes dos bombardeios e grupos pacifistas.
No mês passado, o ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi, havia defendido uma discussão “sem tabus” sobre armas nucleares. A declaração abriu espaço para um debate que, durante décadas, permaneceu praticamente fora da agenda política japonesa.
Em dezembro, um alto funcionário do governo, cuja identidade não foi revelada, também teria defendido, durante uma conversa extraoficial com jornalistas, que o Japão deveria possuir armas nucleares.
A declaração foi posteriormente divulgada por grandes veículos de comunicação japoneses.
Pressão por maior capacidade militar.
O governo Takaichi vem adotando uma política de defesa mais ativa.
O Japão aumentou os gastos militares, suspendeu uma proibição autoimposta à exportação de armas e defende uma revisão da Constituição pacifista.
Os defensores de uma mudança nos princípios nucleares argumentam que o último deles — o compromisso de não permitir a introdução de armas nucleares no Japão — deveria ser discutido.
Uma das possibilidades seria permitir que os Estados Unidos levassem armas nucleares ao território japonês, como parte da estratégia de dissuasão nuclear na região.
Hirofumi Yoshimura, líder do Partido da Inovação do Japão, integrante da coalizão governista, defendeu a manutenção dos princípios de não possuir e não produzir armas nucleares.
Mas afirmou que existe espaço para discutir a proibição de sua introdução no país.
A mudança de postura também provoca reações da China. Pequim acusa o Japão de retomar um “novo militarismo”, em referência ao fortalecimento das capacidades militares japonesas.
Sobreviventes demonstram preocupação Os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, conhecidos no Japão como hibakusha, foram fundamentais para a construção da cultura pacifista japonesa no pós-guerra.
Em 2024, a organização que representa os sobreviventes recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços em favor de um mundo sem armas nucleares.
Mas o grupo está envelhecendo rapidamente.
Em março deste ano, o Japão reconhecia pouco mais de 91 mil sobreviventes dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Dez anos antes, eram mais de 164 mil. A idade média é de 86,7 anos.
Satoshi Tanaka, sobrevivente de Hiroshima e ativista antinuclear de 82 anos, criticou a falta de clareza do governo sobre o futuro da política nuclear.
Segundo ele, afirmar que o Japão segue atualmente os três princípios apenas descreve a situação presente e não esclarece o que poderá acontecer no futuro.
O debate acontece, portanto, em um momento simbólico para o Japão: enquanto o país lembra as vítimas de Hiroshima e Nagasaki, sua liderança discute até que ponto a política de defesa deve se afastar do pacifismo que marcou as últimas oito décadas.
Em números
- Os ataques mataram mais de 210 mil pessoas, considerando também as mortes provocadas
- Em março deste ano, o Japão reconhecia pouco mais de 91 mil sobreviventes dos bombardeios de Hiroshima e Naga
- Dez anos antes, eram mais de 164 mil
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.