Ir para o conteúdo
Mundo Revisado por ULTRA AI

Israel registra êxodo incomum após guerra e crise política interna

Saídas se concentram entre profissionais de renda mais alta

4 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Jonathan não queria deixar Israel. Quando sua mulher levantou a ideia pela primeira vez, foi ele quem resistiu. Mas, à medida que a guerra na faixa de Gaza se prolongava, e o estresse do conflito se somava às pressões econômicas e às tensões sociais sempre latentes no Estado judeu, ele percebeu que precisavam partir.

Então, certa noite, ao voltar para seu apartamento em Tel Aviv, encontrou o filho de um de seus vizinhos. Eles conversaram, e o menino, de cinco ou seis anos, disse que veria Jonathan naquela noite no abrigo do prédio, para onde os moradores iam se proteger dos mísseis lançados pelos inimigos de Israel.

Esse foi um dos grandes pontos de ruptura para mim... [Pensei:] ele é o futuro do país, e isso é tudo o que conhece", recorda Jonathan. "Imagine: há alguns anos as pessoas vivem nesse estado de lutar ou fugir.

E não há como escapar desse ciclo... Quando se somam todos os aspectos sociais, econômicos e políticos, a situação simplesmente se torna insustentável.

Assim, em 2024, o profissional do setor imobiliário na faixa dos 30 anos, que pediu para não ter o nome completo divulgado, desfez sua vida em Tel Aviv e se mudou com a família para os Estados Unidos, juntando-se a uma onda de 150 mil israelenses que deixaram o país nos últimos três anos.

A saída foi motivada por um período de turbulência sem precedentes em Israel. No início de 2023, o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu lançou uma controversa iniciativa para reformular o Judiciário, desencadeando a mais profunda crise interna nos quase 80 anos de história do país.

Depois, o ataque do Hamas em 7 de outubro mergulhou o país em uma guerra que se transformou em um conflito regional de vários anos, envolvendo o Irã e grupos aliados, do Líbano ao Iêmen.

Pelos padrões internacionais, a proporção de israelenses que partiram nesse período não é enorme. Mas, para Israel, esse êxodo é extremamente incomum —e já teve um impacto desproporcional.

Combinado a uma queda na imigração, ele tornou negativo o saldo migratório de Israel tanto em 2023 quanto em 2024 —algo que ocorreu apenas três vezes no século anterior.

Analistas esperam que os números gerais do ano passado, ainda não disponíveis, também sejam negativos.

Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo.

Estudos —entre eles um divulgado recentemente pela autoridade tributária de Israel— indicam que um número cada vez maior dos que partem tem renda elevada. Isso também despertou temores de uma fuga de cérebros que, se persistir, poderá causar sérios danos à economia israelense, fortemente baseada em tecnologia, às finanças públicas e até mesmo às Forças Armadas.

Esta é, essencialmente, a primeira vez em 100 anos que há um saldo negativo contínuo [em anos consecutivos]", afirma Sergio DellaPergola, professor emérito da Universidade Hebraica de Jerusalém, observando episódios isolados anteriores na década de 1920, antes da fundação de Israel, em 1948, e depois novamente nas décadas de 1950 e 1980.

Portanto, isso é absolutamente excepcional.

De fato, a ideia de Israel como um país de imigração é central para sua identidade moderna. O novo Estado foi fundado enquanto o mundo se horrorizava diante das atrocidades do Holocausto.

Oferecer um lar aos judeus de todo o planeta era parte fundamental de sua razão de ser. Entre 1948 e 1960, a imigração respondeu por 65% do crescimento populacional.

Essa parcela diminuiu desde então, mas ainda se aproximava de 20% nas duas décadas anteriores à pandemia.

Durante muito tempo, também houve um estigma em torno daqueles que partiam. Na década de 1970, o então primeiro-ministro Yitzhak Rabin classificou os emigrantes como "leprosos morais", "os decaídos entre os fracos" e, para completar, "a escória da Terra.

A linguagem em torno do tema é carregada de julgamento. A palavra hebraica usada para a imigração de judeus para Israel —aliá— significa literalmente "ascensão.

Os emigrantes eram frequentemente chamados de yordim —ou "aqueles que descem.

Emigrar era motivo de vergonha. A mensagem implícita era: ‘Você não vai participar deste grande experimento de recriar uma pátria judaica pela primeira vez em 2.

000 anos. O que você é? Um traidor da causa?’", afirma Alex Weinreb, diretor de pesquisa do Taub Center, um centro de estudos com sede em Jerusalém.

Meu pai tem dez primos de primeiro grau, todos nascidos nas décadas de 1930 e 1940. A maioria nunca saiu de Israel, por princípio... Todos fazem parte da comunidade nacional-religiosa.

E, para eles, permanecer aqui neste momento é uma forma de fazer uma declaração política.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

Leia também

Mais em Mundo