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Ilha misteriosa aparece e desaparece em lago no Canadá

Num reservatório no norte do Canadá, uma ilha coberta de árvores e maior que um campo de futebol sumiu das imagens de satélite e reapareceu em outro lugar.

5 min de leitura
Ilha misteriosa aparece e desaparece em lago no Canadá

No lago de Williston, no norte da Colúmbia Britânica, no Canadá, surgiu, desapareceu e depois voltou a aparecer uma enorme formação flutuante que, durante semanas, deixou os moradores intrigados, despertou o interesse de vários especialistas e acabou se transformando num pequeno mistério natural.

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Trata-se de uma ilha flutuante coberta por árvores densas e aparentemente saudáveis, com uma área de quase um hectare, ou mais do que um campo de futebol. Não parece ser uma obra humana.

Ninguém sabe ao certo de onde ela veio. E, durante semanas, nem sequer se sabia onde ela estava.

As primeiras imagens começaram a circular em agosto. Um navegador registrou a formação a partir da água, e o material acabou chegando às mãos de Rocky Avery, morador da região, que o compartilhou nas redes sociais.

Em pouco tempo, as imagens atraíram enorme atenção. Avery afirmou à emissora canadense CBC que, em 40 anos vivendo no Canadá, nunca havia visto algo semelhante.

A cena parecia tão incomum que até mesmo a B. C. Hydro, empresa de energia responsável pela administração da barragem W. A. C. Bennett e do lago, que é um reservatório, duvidou inicialmente de sua autenticidade.

Seu porta-voz, Bob Gammer, explicou à CBC que o crescimento dos vídeos gerados por inteligência artificial obriga a analisar com cautela qualquer imagem publicada na internet.

Os satélites confirmam e depois perdem a ilha.

As dúvidas desapareceram com a ajuda dos satélites. Uma imagem de 21 de julho localizou a ilha cerca de 100 quilômetros a oeste da barragem. A B. C. Hydro estimou que ela media aproximadamente 70 por 140 metros, totalizando cerca de 9.

800 metros quadrados, segundo dados divulgados pela CBC.

Pouco depois, tão repentinamente quanto surgiu, ela desapareceu. Em 5 de agosto, já não aparecia nas imagens de satélite e ninguém podia afirmar com certeza se havia afundado ou simplesmente alcançado uma área mais protegida próxima à margem.

O mistério foi resolvido no fim de agosto. A B. C. Hydro confirmou que a ilha havia encalhado na entrada norte do braço de Ospika, a cerca de 30 quilômetros de sua última localização conhecida, uma distância que chamou a atenção de alguns dos especialistas consultados.

O mistério despertou interesse até mesmo fora do Canadá. Segundo a CBC, Finlay Farquhar, um residente do Reino Unido ligado à área de engenharia de rádio, acompanhou os rastros da formação por conta própria e acabou identificando sua nova posição utilizando ferramentas públicas de imagens de satélite.

Esse deslocamento tem uma explicação provável. Segundo Gammer, ele se deveu não à correnteza, que nesse trecho do reservatório se move muito lentamente em direção à barragem, mas ao vento, capaz de empurrar uma massa desse tamanho por águas abertas.

Mas como se forma uma ilha flutuante.

A formação da ilha continua sendo uma das grandes incógnitas do caso. A principal hipótese está relacionada aos níveis excepcionais da água. Após um inverno com muita neve e um verão chuvoso, o reservatório de Williston atingiu sua capacidade máxima pela primeira vez em 14 anos, obrigando a B.

C. Hydro a abrir os vertedouros em junho e julho.

Uma das possibilidades levantadas por Gammer é que o processo de formação da ilha tenha começado muito antes de alguém perceber. Restos de árvores e outros materiais teriam se acumulado gradualmente numa área protegida, criando ao longo do tempo uma base sobre a qual a vegetação pôde crescer.

A elevação extraordinária do nível da água teria finalmente desprendido essa estrutura, deixando-a flutuar livremente.

As condições das margens também teriam favorecido o processo. O geólogo John Clague, da Universidade Simon Fraser, acrescenta que a erosão acumulada tornou alguns trechos das margens mais instáveis.

Além disso, os fortes ventos da região são capazes de gerar ondas e afetar as árvores próximas à costa.

O fenômeno, aliás, não é tão excepcional para quem estuda esse tipo de formação. A pesquisadora da National Geographic Natalie Kramer Anderson, especializada em acúmulos de troncos e madeira, explica que grandes depósitos de madeira podem permanecer estáveis por décadas e acabar servindo de base para o crescimento de nova vegetação.

A ecóloga marinha Rebecca Helm, da Universidade de Georgetown, insere o fenômeno num contexto mais amplo. Na avaliação dela, esse tipo de ilha provavelmente era mais comum no passado, antes que a atividade humana modificasse muitos dos processos naturais que favoreciam sua formação.

Esta ilha parece mais um velho fantasma do que um novo fenômeno, algo que os seres humanos costumavam ver com muito mais frequência", afirmou Helm à National Geographic.

Existem outros exemplos semelhantes em várias regiões do mundo. Em Wisconsin, nos Estados Unidos, a chamada Forty Acre Bog muda de posição periodicamente e precisa ser deslocada todos os anos para evitar que derive em direção a uma ponte.

No Lago Vitória, na África, formações parecidas podem dificultar a navegação e interferir em infraestruturas hidrelétricas.

Por enquanto, a B. C. Hydro não considera necessárias medidas drásticas, embora continue monitorando novas imagens de satélite e possíveis avisos da população.

Já Gammer foi direto ao se dirigir aos curiosos: aproximem-se de barco, tirem fotos, usem drones, mas não tentem pisar na ilha.

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