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Ignorar vitória da AfD irrita ainda mais eleitores, alerta politólogo

Governo do chanceler Merz tem de reconhecer a vitória da AfD de extrema-direita na Saxónia-Anhalt e o descontentamento que a permitiu, ou arrisca agravar a próp

5 min de leitura
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A forma como o chanceler Friedrich Merz e o seu governo de coligação responderem à histórica vitória do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt será decisiva para o futuro do governo federal, afirmou à Euronews o politólogo Nicolas Spohn.

Os resultados finais das eleições de domingo passado, naquele estado do leste da Alemanha, mostraram que a AfD obteve 43,8% dos votos, mais do dobro do resultado de há cinco anos, numa região com 2,1 milhões de habitantes.

O partido de Merz, a União Democrata-Cristã (CDU), caiu para 17,2%.“Antes de mais, trata-se de uma vitória verdadeiramente histórica para a AfD e de um autêntico terramoto para os restantes partidos”, afirmou Spohn, especialista na política dos estados da Alemanha de Leste.

A vitória deste partido pró-Kremlin e anti-imigração marca a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que um partido de extrema-direita fica tão perto de exercer o poder a nível regional.

Multiplicam-se as dúvidas sobre o que isto representa para a política nacional alemã. Thorsten Frei, líder da bancada da CDU no parlamento federal, o Bundestag, rejeitou que o resultado obtido pela CDU na Saxónia-Anhalt venha a ter consequências a nível nacional.“Mas é precisamente isto que frustra as pessoas”, comentou Spohn, acrescentando que “ignorar avisos como os que saem de eleições como as da Saxónia-Anhalt pode dar ainda mais votos à AfD”.

Descontentamento dos eleitoresO incumprimento das promessas feitas antes das eleições de 2025, nomeadamente o compromisso de relançar a economia estagnada da Alemanha, fez cair a popularidade de Merz.

Uma sondagem recente da YouGov indicou que apenas 16% dos alemães têm uma opinião favorável do chanceler.“Estas eleições mostram que a CDU tem de corrigir o rumo político a nível nacional”, explicou o politólogo.

Spohn considera que este fator pesou mais no resultado eleitoral do que o apoio concreto às propostas da AfD.“Não se trata de um apoio genuíno ao programa da AfD, mas sim à [ideia associada ao partido] de fazer tudo de maneira diferente.”A Saxónia-Anhalt, cujo território fazia parte da República Democrática Alemã (Alemanha de Leste), registou a maior quebra demográfica de todos os estados alemães nos últimos 35 anos, perdendo um quarto dos habitantes desde a reunificação, em 1990.

A situação é especialmente visível nas zonas rurais e entre os jovens, que sofrem com a falta de professores e com fracas perspetivas de carreira.“O que quero dizer é que 40% dos eleitores não votam na AfD por causa das suas políticas de extrema-direita, mas apesar dessas políticas.

As pessoas na Alemanha de Leste não são mais de direita; estão simplesmente mais frustradas.”O partido chega agora às eleições regionais em Berlim e no estado oriental de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, que se realizam dentro de menos de duas semanas, com um forte embalo.

A AfD lidera as sondagens de intenção de voto em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, com cerca de 35%. Para inverter a tendência, defende Spohn, a CDU de Merz terá de oferecer aos eleitores uma perspetiva positiva.

E, se tudo é possível, tudo também pode ser diferente.”.

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Reconheceu que alguns fatores escapam ao controlo da CDU, como as guerras em curso na Ucrânia e no Irão. “São questões sobre as quais o chanceler Merz pouco pode fazer, mas, ainda assim, os alemães sentem-nas no bolso.”.

Este descontentamento é particularmente visível na Saxónia-Anhalt, onde a popularidade de Merz desceu para pouco mais de 9%. Spohn considera que este fator pesou mais no resultado eleitoral do que o apoio concreto às propostas da AfD.

Para inverter a tendência, defende Spohn, a CDU de Merz terá de oferecer aos eleitores uma perspetiva positiva. “Neste momento não existe essa visão positiva, e a AfD é o único partido a dar aos eleitores algum tipo de horizonte, assente na ideia de que ‘tudo é possível’.

Em números

  • AfD obteve 43,8% dos votos, mais do dobro do resultado de há cinco anos, numa região com 2,1 milhões de habitantes

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Fontes consultadas

  • Euronews PTlink

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