O estreito de Hormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições de um acordo provisório firmado com o Irã em junho, afirmou o principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, em declarações publicadas pela mídia estatal nesta terça-feira (18).
Essas exigências incluem que os EUA encerrem o bloqueio aos portos iranianos, suspendam as sanções ao petróleo, liberem os ativos iranianos congelados e interrompam as ameaças e operações militares, disse Ghalibaf ao Parlamento.
O memorando, assinado em 17 de junho, fracassou rapidamente devido a uma disputa sobre o controle de Hormuz, passagem estratégica por onde circulava, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente.
O presidente Donald Trump declarou o acordo encerrado em 7 de julho. Uma semana depois, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o pacto estava suspenso.
Os países voltaram a trocar ataques, e a guerra escalou no Oriente Médio.
Pelo acordo, os dois países se comprometeram a negociar, em até 60 dias, um entendimento definitivo sobre temas mais amplos, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano.
O prazo poderia ser prorrogado por consentimento mútuo.
Um funcionário iraniano de alto escalão disse à Reuters na segunda-feira (17) que o Irã agora adotaria uma postura "totalmente ofensiva" devido à paralisação dos esforços diplomáticos para garantir um fim permanente ao conflito.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo.
Ainda na segunda-feira, Trump disse que irá atacar Omã caso o sultanato árabe busque dividir o controle de Hormuz com o Irã. "Se Omã se meter no caminho, vamos bombardeá-los para c...", afirmou.
A fala presidencial foi relatada por Trey Yingst, jornalista da Fox News baseado em Tel Aviv, que é um interlocutor frequente do republicano. É a primeira vez que o americano ameaça diretamente um país árabe desde que iniciou sua guerra, ao lado de Israel, em 28 de fevereiro.
Até então, Omã era o país que conduzia a mediação entre americanos e iranianos relacionada ao programa nuclear dos aiatolás.
Quando a guerra começou, o sultanato acabou sendo alvo de ataques retaliatórios dos iranianos, o que gerou surpresa e repúdio no governo local, visto como um interlocutor neutro de ambos os rivais.
Com Hormuz praticamente fechado, os iranianos retomaram negociações diretas com Omã, que controla a margem sul do estreito e metade de suas águas. Na semana passada, Teerã disse que esse diálogo era independente de qualquer acordo com os americanos, o que levou à fúria de Trump.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.