Ir para o conteúdo
Mundo

Guerra no Oriente Médio põe à prova sonho de ilhas artificiais luxuosas de Dubai

Mercado imobiliário vive demissões em incorporadoras, queda de visitantes e alta de custos

3 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Para ter uma ideia de como a crise no Oriente Médio pôs à prova o boom imobiliário de Dubai, basta uma viagem de barco de 30 minutos da orla da cidade até o Côte d’Azur.

A incorporadora demitiu funcionários, segundo pessoas a par do assunto, e enfrenta processos judiciais movidos por investidores e ex-empregados.

A cadeia de ilhas já enfrentava anos de atrasos por desafios técnicos, logísticos e regulatórios. Agora, precisa lidar com a queda acentuada de visitantes internacionais e com a disparada do diesel que abastece os geradores do empreendimento, que não está conectado à rede elétrica.

É um projeto muito glamouroso, e entendo por que recebe tanta atenção", disse Euan Lloyd, que lidera a área de construção e infraestrutura do escritório de advocacia local Al Tamimi & Co.

Mas executá-lo e concretizá-lo é bastante desafiador.

Em Dubai, a guerra começou a separar as incorporadoras mais fortes das mais vulneráveis. Pouco depois do início do conflito, o DLD (Departamento de Terras de Dubai) começou a se preparar para a possibilidade de uma consolidação no setor.

O órgão alertou informalmente os grupos maiores de que talvez precisassem assumir rivais menores e com dificuldades de caixa, segundo pessoas a par do assunto.

As The World Islands simbolizam a febre de construções que marcou Dubai há mais de 20 anos. Quando foram lançadas, eram o mais recente de uma série de projetos extravagantes em terrenos aterrados que atraíram a atenção mundial.

Após a crise de 2008, foram na maioria engavetadas e viraram símbolo da ambição excessiva do emirado.

Outras partes do arquipélago foram ainda mais afetadas neste ano. O resort Anantara, inspirado nas Maldivas, fechou em abril. Ele foi desenvolvido por uma empresa fundada pelo ex-chefe da DP World, Sultan Ahmed bin Sulayem.

A operadora, a Minor Hotels, disse que o fechamento foi "resultado de uma combinação de fatores externos.

O The Heart of Europe, assim como muitos outros hotéis da região, teve de recorrer aos moradores locais, atraindo-os com ofertas como vales para alimentos e bebidas no mesmo valor da diária do quarto.

Josef Kleindienst, cujo Kleindienst Group é o responsável pelo empreendimento, disse ao FT que o projeto previa originalmente uma divisão equilibrada entre hóspedes internacionais e locais.

Após o início da guerra, passou a se concentrar no mercado de férias perto de casa.

A ocupação subiu de 27% em março para 36% em abril e 56% em maio, afirmou ele, acrescentando que a meta era chegar a 80% nas semanas seguintes. Ele também prometeu inaugurar cinco hotéis até 2027, com obras avançando durante a noite para concluir etapas do projeto.

Kleindienst rejeitou a ideia de que o Heart of Europe não fosse viável. Afirmou que ele foi concebido como um empreendimento turístico de longo prazo, e não como um projeto imobiliário convencional.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo