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Ex-primeiro-ministro Keir Starmer anuncia renúncia ao Parlamento britânico

Deputado havia deixado o posto de premiê em julho, em meio a crise de popularidade e escândalo com embaixador ligado a Epstein

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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou nesta terça-feira (1º) que deixará o Parlamento. Ele renunciou ao cargo de premiê há seis semanas, após perder o apoio de seu Partido Trabalhista.

Starmer levou os trabalhistas de volta ao poder em 2024, com uma das maiores maiorias parlamentares da história moderna do Reino Unido, em uma reviravolta notável para o partido.

Quatro anos antes, ele havia assumido a liderança da legenda, que tivera seu pior resultado eleitoral desde 1935.

O ex-advogado, no entanto, teve um mandato marcado por várias mudanças de posição que lhe causaram danos políticos, não conseguiu conquistar os eleitores e perdeu gradualmente o apoio da população e de seu próprio partido.

Starmer havia dito anteriormente que permaneceria como deputado até a próxima eleição geral. Mas afirmou ao Camden New Journal, jornal local de seu distrito eleitoral no norte de Londres, que havia mudado de ideia e pretendia "se concentrar em assuntos internacionais.

Ele confirmou sua renúncia em uma publicação no X.

Apesar da queda de popularidade no Reino Unido, que lhe custou o cargo, a política externa foi frequentemente considerada um dos pontos fortes de seu governo. Starmer trabalhou em estreita colaboração com o presidente francês, Emmanuel Macron, para criar a chamada Coalizão dos Dispostos, em apoio à Ucrânia; restabeleceu relações com a China; reconheceu o Estado palestino e teve sucesso limitado nas tentativas de estreitar os laços com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A reportagem do jornal não informou quando será realizada uma eleição para preencher a vaga de Starmer no distrito de Holborn e St. Pancras.

Starmer manteve o distrito com facilidade em 2024, com uma vantagem de pouco mais de 11. 500 votos. Um candidato independente que fez campanha principalmente contra a guerra de Israel em Gaza, porém, obteve quase 19% dos votos.

Um dos motivos que levaram à queda de popularidade do ex-primeiro-ministro foi uma controvérsia envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein. Starmer nomeou Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos em dezembro de 2024.

Mandelson mantinha uma relação de longa data com Epstein, que continuou mesmo depois da condenação do bilionário por crimes sexuais. Documentos divulgados posteriormente mostram que Starmer foi informado sobre os riscos reputacionais ligados à relação antes de aprovar a nomeação.

Em setembro de 2025, Starmer demitiu Mandelson após a divulgação de e-mails que revelaram uma proximidade maior com Epstein do que a conhecida quando da nomeação.

O primeiro-ministro disse que Mandelson havia dado respostas falsas durante a checagem de antecedentes e afirmou que não o teria escolhido para o cargo se soubesse da extensão da relação.

Starmer foi substituído como primeiro-ministro em julho por Andy Burnham, 56, ex-prefeito de Manchester e uma figura popular do Partido Trabalhista. Ao assumir o governo, ele prometeu descentralizar o poder político e econômico e apresentar um plano de dez anos para estabilizar o país.

Em seu primeiro discurso como premiê, Burnham criticou os sucessivos governos conservadores, aos quais atribuiu a centralização do poder político, a privatização da economia e a desindustrialização de partes do Reino Unido.

Ele também prometeu levar para o âmbito nacional uma política de combate à falta de moradia que havia tentado implementar em Manchester.

A chegada de Burnham provocou uma recuperação dos trabalhistas nas pesquisas de intenção de voto, embora ele enfrente um teste mais difícil com a retomada dos trabalhos do Parlamento nesta terça-feira.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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