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Europa: preço de referência do gás supera 70 € pela primeira vez desde março

Na segunda-feira, o preço de referência do gás natural TTF holandês ultrapassou os 70 €/MWh, máximo desde março, com a escalada entre EUA e Irão a impulsionar o

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No domingo, forças norte-americanas atingiram lançadores de foguetes iranianos perto do estreito de Ormuz, levando o Irão a retaliar com o disparo de mísseis contra forças dos EUA na Jordânia.

Esta escalada ameaça provocar mais perturbações nas exportações de gás natural liquefeito (GNL), já que o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de GNL, continua praticamente encerrado.

A interrupção surge numa altura em que as entregas de GNL são cruciais para a Europa, que está a encher as reservas de gás antes do inverno.

De acordo com dados da Gas Infrastructure Europe (GIE), as reservas de gás da UE estavam preenchidas em 64,7 %, o que as mantém abaixo dos níveis históricos para esta altura do ano.

Os preços elevados no mercado têm travado o processo de reabastecimento em muitos países, alimentando receios de que os Países Baixos e a Alemanha possam falhar as metas de armazenamento de gás de 80 % e 70 %, respetivamente, até à data-limite de 1 de novembro.

Isto porque a diferença entre os preços atuais e os preços de inverno tem sido muitas vezes demasiado reduzida — ou mesmo negativa — para compensar o custo e o risco de armazenar gás.

Normalmente, os fornecedores compram gás a preços mais baixos no verão, armazenam-no e vendem-no mais caro no inverno.

Níveis baixos de armazenamento não significam necessariamente que um país ficará sem gás no inverno. Mas reservas insuficientes podem tornar os países da UE mais vulneráveis a preços voláteis no mercado ou a ruturas nas cadeias globais de abastecimento.

A situação preocupa em especial as empresas da maior economia europeia.

A Itália enfrenta igualmente riscos para o seu abastecimento de gás, apesar de o nível de armazenamento do país ser um dos mais elevados da Europa.

Na quinta-feira passada, a QatarEnergy notificou a empresa italiana de serviços públicos Edison, um dos seus maiores clientes na Europa, de que tinha prolongado a suspensão por força maior das entregas de gás natural liquefeito até ao início de novembro devido à guerra entre os EUA e o Irão, avançou a Reuters.

O contrato de longo prazo entre a Edison e o Qatar abastece habitualmente o equivalente a cerca de 10 % do consumo anual de gás da Itália. A Edison garantiu estar a assegurar fornecimentos alternativos e que consegue cumprir os compromissos assumidos com os clientes.

Analistas alertam que uma perturbação prolongada nas exportações de GNL do Golfo pode obrigar os compradores europeus a competir de forma mais agressiva com compradores asiáticos pelos carregamentos disponíveis, o que poderá exercer uma pressão adicional sobre os preços do gás na Europa.

Segundo o Goldman Sachs, esta eventual guerra de licitações poderá aproximar os preços grossistas dos 100 euros por MWh.

Na semana passada, as analistas do banco Samantha Dart e Laura Cyr escreveram numa nota, citada pela Bloomberg: “Num cenário em que as exportações de energia do Médio Oriente só regressem gradualmente à normalidade até 2027, estimamos que o TTF para dezembro de 2026 teria provavelmente de subir acima dos 100 euros por MWh”, referiram.

Se o atual nível de preços for passageiro, o pico poderá ter pouco impacto nas contas das famílias. Por outro lado, sem sinais claros de alívio das tensões, um aumento prolongado poderá refletir-se gradualmente nas faturas de energia dos agregados familiares em toda a Europa.

Segundo uma estimativa anterior da Oxford Economics, as variações nos preços grossistas demoram, em média, cerca de seis meses a refletir-se totalmente nos preços ao consumidor, embora o calendário varie bastante entre os países do bloco.

Em França, Itália e Espanha, os preços podem reagir em poucos meses, quase de imediato nos Países Baixos, mas podem demorar perto de um ano a atingir o pico na Alemanha e na Áustria.

A Oxford Economics considera a Itália a economia mais exposta entre as grandes da Europa, porque os preços se transmitem relativamente depressa e o país depende fortemente do gás, embora as suas reservas estejam atualmente entre as mais cheias da União.

Fontes consultadas

  • Euronews PTlink

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