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EUA aplicam restrições de visto contra sul-africanos que cometem 'racismo' contra brancos

Departamento de Estado cita discriminação contra afrikaners, grupo de brancos descendentes de europeus. Governo dos EUA afirma estar 'profundamente preocupado'

4 min de leitura
EUA aplicam restrições de visto contra sul-africanos que cometem 'racismo' contra brancos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (15) que vai restringir vistos de cidadãos estrangeiros acusados de praticar discriminação racial contra afrikaners, uma comunidade de brancos sul-africanos descendentes principalmente de holandeses, alemães e franceses.

  • Dados apontam que os brancos possuem três quartos das terras agrícolas de propriedade plena da África do Sul.
  • Por outro lado, os negros dominam apenas 4% dessas áreas, embora representem mais de 80% da população.
  • Em 2025, Trump disse que o governo sul-africano estava "confiscando terras" e tratando "certas classes de pessoas" de forma injusta.
  • cidadãos estrangeiros responsáveis ou cúmplices na elaboração ou implementação de leis ou políticas que permitam desapropriações de terras sem indenização.
  • responsáveis por discriminação baseada em raça e/ou por incitação à violência iminente contra integrantes de grupos étnicos ou raciais minoritários na África do Sul.
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Vídeo usado por Trump sobre África do Sul não é o que ele diz ser.

O tema já havia sido motivo de tensões entre o governo de Donald Trump e a África do Sul. No ano passado, o presidente norte-americano acusou o país africano de cometer violência contra afrikaners.

Os EUA também acolheram integrantes da comunidade em território americano.

Por trás da disputa está uma lei aprovada pelo Congresso sul-africano para tentar corrigir o desequilíbrio na distribuição de terras no país.

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano continua "profundamente preocupado com crimes motivados por questões raciais" na África do Sul.

Segundo ele, o governo sul-africano promove discriminação contra afrikaners e outras populações minoritárias, "incluindo legislação discriminatória baseada em raça, ameaças de desapropriação de terras sem indenização e incitação à violência racial por meio de cantos e slogans desumanizantes.

Por esse motivo, Rubio afirmou que os EUA estão adotando uma nova política de restrição de vistos. Segundo o comunicado, serão afetados.

Os Estados Unidos não permitirão que esse tipo de comportamento continue sem resposta. Essas ações prejudicam diretamente a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito, além de serem incompatíveis com os pilares da política externa americana", afirmou.

No ano passado, Trump afirmou que a África do Sul perseguia membros da comunidade afrikaner, um grupo formado por descendentes de holandeses, alemães e franceses que migraram para o país a partir do século 17.

Atualmente, os afrikaners representam cerca de 4% da população sul-africana, ou aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, em um país com mais de 60 milhões de habitantes.

Historicamente, os afrikaners estiveram entre os principais grupos políticos responsáveis pela criação e manutenção do regime do apartheid, que institucionalizou a segregação racial na África do Sul até o início dos anos 1990.

Apesar do fim do regime, os brancos ainda controlam uma parte significativa das terras agrícolas do país.

Após a aprovação da lei destinada a corrigir o desequilíbrio na distribuição de terras, o bilionário Elon Musk, nascido na África do Sul e aliado de Trump, afirmou que os sul-africanos brancos eram vítimas de "leis racistas de propriedade.

Também ganharam força teorias conspiratórias segundo as quais o governo da África do Sul estaria promovendo um "genocídio branco.

O governo sul-africano nega a existência de um genocídio contra brancos no país. Segundo a BBC, informações falsas sobre o tema circulam entre grupos de direita há muitos anos, inclusive durante o primeiro mandato de Trump, entre 2017 e 2021.

Em fevereiro do ano passado, um juiz sul-africano também afirmou, em uma decisão, que não havia genocídio no país.

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