Um deslizamento de terra varreu o porto de Gyirong, a principal passagem fronteiriça terrestre entre o Nepal e o Tibete (China), nesta quarta-feira (26). Do lado nepalês, a enchente repentina deixou pelo menos 98 mortos e centenas de desaparecidos — boa parte turistas estrangeiros. As buscas continuam nos dois países.
O Itamaraty afirmou que, até o momento, não há informações sobre brasileiros desaparecidos.
Porto de Gyirong: o coração da tragédia no Tibete
Câmeras de vigilância registraram o momento em que uma parede de lama, água e rochas avançou sobre o porto terrestre de Gyirong (também chamado Kyirong), no condado homônimo da região de Shigatse, no Tibete. Nas imagens, pessoas correm segundos antes de a estrutura ser engolida; caminhões, ônibus e construções são arrastados.
O porto fica às margens do rio Kyirong Tsangpo, a cerca de 1.850 metros de altitude, no fundo de um desfiladeiro himalaico. É um dos principais eixos de comércio e turismo entre China e Nepal — e ponto de acesso a rotas ligadas a áreas sagradas e ao Parque Nacional de Langtang.
Agências oficiais chinesas (Xinhua/CCTV) atribuíram o impacto no porto a um deslizamento originado no lado nepalês. Estradas, comunicações e energia na região de Shigatse foram interrompidas. Equipes de resgate chinesas relataram dificuldade de acesso: sedimentos de até cerca de 1,5 metro de profundidade bloquearam vias, e drones confirmaram trechos “completamente destruídos”. Centenas de socorristas e máquinas pesadas foram mobilizados. O presidente Xi Jinping ordenou esforço “total” para localizar desaparecidos e reforçar alertas contra novos desastres.
Balanços chineses ainda variam; reportagens citam mortos e centenas de desaparecidos no lado tibetano, mas números oficiais consolidados mudam conforme as equipes recuperam contato com o porto.
No Nepal: vilas, pontes e usinas arrastadas
Do outro lado da fronteira, a enxurrada atingiu distritos como Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Gorkha. Áreas de Syapru Besi, Timure e o eixo do rio Trishuli / Bhote Koshi aparecem entre as mais afetadas. Vídeos verificados mostram pontes sendo levadas e prédios desabando com a força da água.
A Autoridade de Eletricidade do Nepal reportou danos a centenas de megawatts de capacidade (hidrelétricas e outras instalações). Helicópteros e tropas do Exército atuam no resgate; em vários pontos, o nível da água e a lama impedem pousos.
Mortos, desaparecidos e nacionalidades
- Mortos no Nepal: pelo menos 95, segundo balanços atualizados pelas autoridades;
- Desaparecidos: mais de 579 pessoas em levantamentos do Conselho de Turismo do Nepal, com centenas de estrangeiro pelo menos 476 ;
- Entre os turistas/viajantes: Índia (mais de 100), Malásia, Reino Unido, África do Sul, EUA, Austrália e Países Baixos, além de dezenas ainda sem nacionalidade confirmada;
- Trabalhadores: sul-coreanos de obra hidrelétrica também foram reportados incomunicáveis;
- Resgatados: mais de 100 sobreviventes em operações no lado nepalês.
O que pode ter causado
Informações preliminares apontam um terremoto de magnitude cerca de 4,4 (USGS/centros europeus), com epicentro raso, minutos antes do desastre. A hipótese principal é que o tremor tenha desencadeado uma avalanche de gelo, neve e pedras no rio Lhende Khola (lado nepalês), represando água que depois desceu com violência — a “avalanche de lama” vista em Gyirong e a enchente nas vilas nepalesas.
A região havia registrado chuvas intensas de monção. Especialistas alertam que, com obstrução ainda a montante, há risco de nova inundação. Alertas de cheia chegaram a estados indianos a jusante, como Bihar e Uttar Pradesh.
O que as autoridades estão fazendo
O primeiro-ministro do Nepal convocará/convocou reunião de emergência da gestão de desastres; policiais, militares, Cruz Vermelha e equipes médicas foram mobilizados. Moradores de margens de rios foram orientados a subir para terrenos mais altos.
Do lado chinês, além do reforço de resgate em Gyirong, autoridades pediram cautela com novos deslizamentos e restrições de circulação em trechos inseguros.
Vídeos do deslizamento em Gyirong
Câmeras de vigilância registraram o momento em que a parede de lama e pedras varreu o porto de Gyirong. Assista na galeria de vídeos desta matéria (player abaixo das fotos) — imagens de CCTV circuladas nas redes e na cobertura internacional de 26/08/2026.
O que ainda falta esclarecer
- Balanço consolidado de mortos e desaparecidos no Tibete;
- Confirmação definitiva da cadeia terremoto → avalanche → represamento → enchente;
- Lista completa e identificação de turistas e trabalhadores sem contato;
- Risco e monitoramento de uma segunda onda se a barreira natural se romper.
Atualização ULTRA NOTÍCIAS — 26/08/2026. Com base em BBC News Brasil, G1, UOL, Euronews, RTP e agências. Números mudam conforme as buscas avançam.