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Em minha despedida do New York Times, já não sei quem são os mocinhos e os vilões

Sem um antagonista claro, a crítica política navega hoje por um terreno onde todas as forças exibem vícios profundos

3 min de leitura
Em minha despedida do New York Times, já não sei quem são os mocinhos e os vilões

Quando entrei para o jornal The New York Times como colunista, há 17 anos, o presidente Barack Obama ainda desfrutava do entusiasmo e da popularidade de seu primeiro mandato.

Tanto nos círculos políticos quanto nos culturais, havia uma confiança desmedida de que sua combinação de liberalismo social e ambição tecnocrática havia varrido a era conservadora da política americana.

O trabalho de um colunista abarca uma infinidade de coisas, mas é útil ter um antagonista principal, uma visão de mundo específica que, em sua opinião, precisa ser questionada e criticada.

Para mim, durante muitos anos, essa visão de mundo foi o consenso das elites do início da era Obama —uma perspectiva majoritariamente de centro-esquerda, também compartilhada por magnatas do Vale do Silício, políticos centristas ao estilo de Michael Bloomberg e parcelas da classe de consultores republicanos.

Era uma perspectiva moralmente permissiva e deliberadamente cosmopolita, que combinava multilateralismo e belicismo na política externa e se mostrava otimista quanto à possibilidade de uma elite meritocrática conduzir um mundo em processo de globalização rumo à prosperidade e à harmonia.

Em parte, eu me opunha a essa visão de mundo por razões de conteúdo. Eu era religioso nas partes onde ela era amplamente secular, era contrário ao aborto onde ela defendia o direito de escolha, e tinha dúvidas sobre sua abordagem de questões tão diversas quanto a imigração em massa, a legalização da maconha e o Oriente Médio.

Em parte, eu me opunha a essa visão de mundo por razões políticas. Muitos republicanos estavam convencidos de que o Partido Republicano precisava se adaptar ao consenso para sobreviver, transformando-se, na prática, em um segundo partido culturalmente liberal, mas com ares de defensor do livre mercado —e eu tinha certeza de que isso estava errado.

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E, por fim, eu criticava o consenso das elites porque ele precisava desesperadamente de críticos vindos da própria elite e, na ausência deles, era constantemente tentado a ir longe demais.

Mesmo quando partia de uma posição razoável, não sabia a hora de parar, e havia coisas demais sobre a natureza humana que ele parecia desconhecer.

Ao longo da última década na política ocidental, esse consenso das elites naufragou por algumas das razões que eu previa.

Não conseguiu antever as desvantagens de políticas conduzidas por especialistas, não estava preparado para os efeitos mais sombrios das mudanças tecnológicas, levou o liberalismo social tão longe que deixou pessoas vulneráveis à deriva ou entregues aos próprios vícios e cometeu erros graves na política externa porque não esperava que o mundo não ocidental resistisse com tanta força a seus planos.

Mas, ao observar essa crise se desenrolar, percebo que perdi a noção de qual visão de mundo contemporânea mais precisa ser criticada ou combatida, de quem são os mocinhos e os vilões.

Cada grande facção parece potencialmente perigosa, tentada pelo lado sombrio à sua maneira singular, marcada por tantas disputas e pressões contraditórias que já não tenho certeza de que lado realmente estão os anjos.

Comecemos pelo populismo, que chegou ao poder em razão dos fracassos do consenso das elites. Para muitos conservadores que compartilhavam minha crítica ao establishment da era Obama, a rebelião populista foi o veículo de suas esperanças.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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