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Dormir mal em hotéis? Saiba porquê e como melhorar o descanso

Acredita-se que o fenómeno tenha raízes evolutivas, mas há formas de garantir uma boa noite de sono, mesmo quando se dorme num sítio estranho.

6 min de leitura
Dormir mal em hotéis? Saiba porquê e como melhorar o descanso

Os hotéis esforçam-se bastante para garantir que os hóspedes durmam bem, com as marcas de luxo a investirem em colchões muito caros e lençóis, e até a oferecerem menus de almofadas.

Mas isso não evita o impacto do que os especialistas em sono chamam de “efeito da primeira noite”. Quem sofre com o fenómeno demora mais a adormecer e acorda com maior frequência durante a noite, e isso pode afetar tanto viajantes habituais como pessoas que raramente tiram férias.

O fenómeno foi confirmado por dezenas de estudos e acredita-se que tenha raízes evolutivas, explicou Anna Wick, investigadora sénior em sono na Universidade de Friburgo, na Suíça.“Presume-se que seja uma resposta adaptativa, em que o cérebro em sono se mantém vigilante neste ambiente desconhecido”, disse Wick.

Motivos para sofrer com o efeito da primeira noiteAhmad Mayeli, professor de Psiquiatria e investigador do sono na Universidade de Pittsburgh, afirma que a maioria das pessoas passa por isso e que, mesmo quem não o nota, provavelmente o sente de forma ligeira.

Em média, as pessoas dormem menos 20 a 30 minutos num ambiente novo. Na investigação que conduz, verificou-se que o lobo frontal, uma área associada à fase mais profunda do sono, estava mais ativo, o que indica um estado de alerta.

Ou seja, as pessoas não só dormem menos, como também menos profundamente.“Os estudos sugerem que, tal como nos golfinhos, uma parte do cérebro está acordada enquanto dormimos”, disse Mayeli.

As pessoas na casa dos 20 anos são as menos afetadas. Mayeli suspeita que o cérebro esteja programado para desconfiar de locais novos porque, historicamente, eram os mais perigosos para descansar.“Não importa se é um hotel Marriott ou a savana”, sublinha.

Lisa Strauss, psicóloga especializada em terapia cognitivo-comportamental para perturbações do sono, explica que vários fatores podem afetar o sono num local novo, para lá da vigilância de origem evolutiva.

A própria viagem pode ter um impacto negativo, mesmo dentro do mesmo fuso horário. Podem interferir fatores ambientais, como uma luz intermitente do detetor de fumo no quarto de hotel.

Tensões relacionais, por exemplo ao visitar familiares com quem não se tem grande proximidade, também podem contribuir. Strauss assinala que algumas pessoas podem dormir melhor na primeira noite se estiverem cansadas depois de um longo dia de viagem ou se o local lhes proporcionar uma sensação de afastamento dos fatores de stress do dia-a-dia.

E quem tem dificuldades em dormir em casa pode sentir-se melhor, porque não associa o novo espaço a um histórico de problemas de sono. Embora qualquer pessoa possa experimentar o efeito da primeira noite, Strauss sublinha que quem é mais ansioso à partida está especialmente vulnerável.

Acaba por se tornar uma profecia auto-realizável: a preocupação sobre se vai conseguir dormir é precisamente o que mantém a pessoa acordada. Como dormir melhor na primeira noiteStrauss recomenda práticas gerais de higiene do sono, como ir dormir num quarto fresco e escuro sempre à mesma hora, seguir uma rotina noturna e desligar os ecrãs bem antes de se deitar.

Estas medidas são particularmente úteis se forem iniciadas ou retomadas nos dias ou semanas que antecedem uma viagem importante. Sugere que se procure tornar o ambiente mais familiar, passando algum tempo extra na nova cama.

Ler ou realizar outra atividade tranquila e conhecida ajuda a tornar a experiência menos inédita. Também se podem levar objetos familiares, como uma almofada ou manta preferidas.

Para quem é particularmente ansioso, Strauss recomenda visualizar-se num ambiente seguro e familiar ao ar livre, como um percurso de caminhada ou uma praia de eleição.

Devem reconhecer a ansiedade que estão a sentir e, em seguida, repetir frases positivas para diminuir o estado de hipervigilância. A sugestão de Strauss: “Que possas saber que estás em segurança.

Que possas saber que és amado. Que possas estar em paz.”Mayeli considera que o efeito da primeira noite não é motivo de grande preocupação e que é fácil compensar uma ou duas horas de sono perdidas numa só noite.

Ainda assim, recomenda chegar um dia mais cedo para se adaptar, caso haja uma reunião ou evento importante.“Se o dia de amanhã é importante, chegue lá uma noite mais cedo”, aconselha, “para conseguir dormir como habitualmente quando isso realmente conta.”.

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O investigador nota que a idade faz diferença. O efeito é mais pronunciado em crianças, adolescentes e idosos e, em regra, agrava-se com o avançar da idade. As pessoas na casa dos 20 anos são as menos afetadas.

Wick acrescenta que os dados disponíveis sugerem que o efeito desaparece após a primeira noite.

Embora qualquer pessoa possa experimentar o efeito da primeira noite, Strauss sublinha que quem é mais ansioso à partida está especialmente vulnerável. Acaba por se tornar uma profecia auto-realizável: a preocupação sobre se vai conseguir dormir é precisamente o que mantém a pessoa acordada.

Sugere que se procure tornar o ambiente mais familiar, passando algum tempo extra na nova cama. Ler ou realizar outra atividade tranquila e conhecida ajuda a tornar a experiência menos inédita.

Que possas saber que és amado. Que possas estar em paz.”.

Mayeli considera que o efeito da primeira noite não é motivo de grande preocupação e que é fácil compensar uma ou duas horas de sono perdidas numa só noite. Ainda assim, recomenda chegar um dia mais cedo para se adaptar, caso haja uma reunião ou evento importante.

Fontes

Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Euronews PTlink

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