Condições meteorológicas adversas, o conflito no Oriente Médio e as disrupções na logística comercial no Mar Negro são os principais fatores para o aumento dos custos dos principais produtos alimentares básicos.
O índice de referência dos preços dos produtos alimentares básicos aumentou em agosto, à medida que as altas temperaturas e os riscos meteorológicos elevaram as apreensões sobre as perspetivas de abastecimento.
A informação consta dos dados publicados no mais recente Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, divulgados esta sexta-feira.
O índice, que acompanha as variações mensais dos preços internacionais de um cabaz de produtos alimentares comercializados a nível global, registou um aumento de 1,9% face ao nível revisto de julho e de 2,5% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Maximo Torero, economista-chefe da FAO, associa esta subida dos preços aos impactos dos choques climáticos, das tensões geopolíticas e das perturbações logísticas, que restringem as expectativas de oferta alimentar.
Neste contexto, o especialista considera que a resiliência, o comércio aberto e os fluxos seguros de fatores de produção são fundamentais para garantir a estabilidade dos preços mundiais dos alimentos.
O Índice de Preços dos Cereais da FAO registou um aumento de 2,2% face a julho, refletindo a subida dos preços internacionais dos principais cereais, impulsionada pela incerteza sobre as colheitas e os fluxos comerciais.
Por sua vez, a redução da oferta de leite na União Europeia, associada às condições meteorológicas quentes e secas, contribuiu para um aumento de 2,3% no Índice de Preços dos Produtos Lácteos.
Também influenciado por condições meteorológicas adversas, pelas perspetivas de impacto do El Niño na produção e pela menor produção de açúcar no Brasil, o Índice de Preços do Açúcar da FAO registou um aumento de 11,9% no mês de agosto.
Apesar do aumento generalizado dos preços da carne de aves, de suíno e de ovino, os preços internacionais da carne de bovino diminuíram, fruto da maior concorrência entre os exportadores do Brasil e da Austrália.
Também divulgado esta sexta-feira, o Boletim sobre a Oferta e a Procura de Cereais da FAO prevê uma produção mundial de cereais em 2026 de 2 980 milhões de toneladas.
Apesar de este valor representar uma redução de 2% face ao alcançado em 2025, trata-se da segunda maior colheita de cereais desde que há registo.
A agência da ONU prevê ainda uma diminuição do comércio mundial de cereais em 2026/27, face aos níveis recorde, a par da diminuição da produção mundial de milho, trigo e arroz.
Em números
- A Oferta e a Procura de Cereais da FAO prevê uma produção mundial de cereais em 2026 de 2 980 milhões de toneladas
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