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Diretor de 'Kardec' e 'Nosso Lar' faz estreia mundial de 'As Irmãs Fox' em Hollywood

Wagner de Assis é conhecido por transformar em cinema histórias que questionam os limites entre o que podemos ver e o que escolhemos acreditar. Responsável por

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Diretor de 'Kardec' e 'Nosso Lar' faz estreia mundial de 'As Irmãs Fox' em Hollywood

Wagner de Assis é conhecido por transformar em cinema histórias que questionam os limites entre o que podemos ver e o que escolhemos acreditar. Responsável por levar multidões às salas brasileiras com os sucessos da franquia "Nosso Lar" e a cinebiografia "Kardec", o cineasta agora atravessa fronteiras para estrear seu projeto mais ambicioso, o primeiro totalmente em língua inglesa.

O lançamento mundial de "As Irmãs Fox", coprodução com os Estados Unidos, aconteceu no North Hollywood CineFest e traz a fascinante e conturbada trajetória de Leah, Kate e Maggie Fox, jovens norte-americanas, que, em meados do século XIX, se transformaram nas figuras centrais de um movimento que se espalhou dos Estados Unidos para diferentes partes do mundo.

Se em trabalhos anteriores o diretor carioca buscou a consolidação doutrinária ou a jornada após a morte, esse novo longa combina drama histórico, suspense, elementos sobrenaturais e desperta debates sobre ciência, crença e os limites entre o mundo material e o espiritual.

Segundo Assis, a trama funciona quase como uma reparação histórica. Para ele, trazê-la, principalmente, ao público norte-americano é expor um capítulo negligenciado da própria cultura local.

Essas mulheres eram as mais famosas da América no século XIX e a minha maior surpresa foi descobrir que foram quase apagadas da história. As poucas coisas registradas sobre elas dizem que eram uma fraude, que eram mentira e isso não é verdade.

Quando eu entendi que esse tipo de história merecia ser contada, comecei a descobrir o quanto essa América inteira do século XIX tinha desaparecido", contou o diretor à RFI.

Para fazer a produção e o roteiro, também assinados por ele, foram cerca de 10 anos de pesquisas e imersão em arquivos históricos.

Eu conhecia a história delas de uma maneira muito enciclopédica. Quando eu decidi fazer o filme, percebi a quantidade de livros que existiam naquela época. Pelo menos duas biografias, um livro da Leah Fox, que a gente menciona no próprio filme.

Jornais, artigos, elas chegaram a frequentar a Casa Branca para ajudar como médiuns. Eu fui para lugares impensáveis. A costa leste norte-americana tinha mais de 70 jornais espiritualistas", detalha.

Eu tinha feito a biografia do Kardec e falei: 'Acho que é bom fechar o ciclo.' Começa com elas, o que o Arthur Conan Doyle chamou de uma 'invasão organizada dos espíritos.

Porque quando explode o movimento, explode para o mundo inteiro e depois chega a Kardec, eu achei que seria válido entender essa realidade e colocar na tela", explica Assis.

A história se passa totalmente nos Estados Unidos; é uma produção de época, mas a maioria das filmagens foi no interior de casarões históricos no Rio de Janeiro, com algumas cenas no país norte-americano.

Mas foram as filmagens no próprio país onde aconteceu a história que flertaram com o extraordinário. Nas locações no estado de Connecticut, a equipe precisava de paisagens cobertas pela neve para retratar com autenticidade passagens cruciais do roteiro.

E eu queria muito que tivesse neve, porque naquele dia 31 de março de 1848, tinha um relato de que nevou muito na área. Quando a gente começou a ver a previsão do tempo, as pessoas diziam assim: ‘não há a menor condição de ter neve’ porque não neva há quatro anos.

E eu falei: 'claro, se não tiver neve, vou ter que colocar neve digital. Mas bem que podia ter neve'. Eu falei só isso. E no dia em que a gente ia filmar o exterior, que precisaria filmar com neve, caíram 10, 15 centímetros de neve pesada, e depois não nevou mais.

Falei: 'Gente, é quase uma bênção'. Sei que é só um fenômeno da natureza, mas gosto de falar que a natureza ajudou a arte", lembra o diretor.

O elenco reúne talentos dos Estados Unidos e do Brasil. As irmãs Fox são interpretadas pelas norte-americanas Sionne Elise, Jamie Hughes e Marie McHugh (essa última também com cidadania brasileira).

No papel de Margareth Fox, mãe das três, está a atriz paulista Daniela Galli.

A família Fox tem uma linhagem de mulheres fortes para a época em que viveram. O filme é inspirado na biografia escrita pela norte-americana Barbara Weisberg e faz um recorte dessa história, obviamente focando nas três meninas.

Mas pesquisando sobre a minha personagem através desse livro, soube que cresceu no Canadá, em uma família de imigrantes russos e mudou para os Estados Unidos porque se casou com um norte-americano", explica Assis.

O marido enveredou pelo alcoolismo e ela decidiu se separar. Então ela criou as filhas sozinhas num país que não era o dela no início do século 19. Então as mulheres da família Fox também sofreram as consequências sociais e o preconceito por terem uma vida diferente dos padrões morais e do conhecimento disponível na época”, conclui o diretor.

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