O destino da cidadã de Serra Leoa Fatmata Sessay, 56, que morou por mais de oito meses no aeroporto internacional de Belém, é incerto. A passagem para o Panamá foi adiada duas vezes.
O primeiro embarque seria no dia 22 de junho e passou para 15 de agosto.
O ticket foi comprado pelo Ministério Público do estado, que se comprometeu a ajudá-la com os trâmites. Sem os documentos necessários, a passagem foi adiada para o dia 15 de agosto, mas o embarque não ocorreu e não há previsão de uma nova data.
Fatmata chegou a Belém em dezembro do ano passado, vinda do Suriname. A viagem dela começou em São Paulo, onde morava havia 18 anos. Ela diz que saiu para encontrar o filho de 15 anos, que estaria no Panamá.
Da capital paulista, a migrante foi para o Peru, onde disse ter sido assaltada e perdido o passaporte. Com a ajuda de voluntários, conseguiu se deslocar até o Suriname.
Fui roubada e as pessoas me ajudaram. Cheguei ao Suriname e compraram uma passagem para Belém dizendo que seria mais fácil conseguir a passagem para o Panamá daqui", disse Sessay em entrevista à Folha em junho.
Na capital paraense, ela conseguiu tirar um novo passaporte e recebeu a doação de uma passagem para o Panamá, mas não tinha os documentos necessários para o embarque.
A Secretaria de Estado de Justiça confirmou que ela ainda não embarcou para o Panamá porque não possui o visto e afirmou que a emissão é de competência das autoridades panamenhas.
Também informou que não há uma data definida para o embarque e que está prestando assistência à migrante.
Questionada sobre que tipo de assistência ela está recebendo, a Secretaria de Justiça não deu detalhes do atendimento nem informou o local onde ela se encontra atualmente.
A reportagem esteve no aeroporto internacional no dia 17 de agosto e conversou com funcionários que costumavam ajudar Fatmata, inclusive fornecendo alimentação.
Segundo eles, a migrante saiu do aeroporto levando todos os pertences no dia 15 de agosto, dia em que estava marcado o embarque para o Panamá. Ela entrou em um táxi com destino incerto.
Dois dias depois, frequentadores a viram na Casa Rua, espaço de acolhimento municipal onde costumava tomar café diariamente.