Ir para o conteúdo
Mundo Revisado por ULTRA AI

De Monroe a Donroe

Doutrina Monroe não é carta branca que concedeu aos EUA direitos perpétuos sobre as Américas

2 min de leitura
Mundo — imagem padrão

John Quincy Adams (1767-1848) deixou registros detalhados dos debates que levaram à formulação da Doutrina Monroe, evocada pelo governo Trump em um recente vídeo para tratar a América Latina como um puxadinho dos EUA.

Seu biógrafo James Traub conta que Adams, então secretário de Estado, e o presidente Monroe tinham duas questões diante de si. De um lado, a proposta britânica de uma declaração conjunta contra uma eventual intervenção europeia para restaurar o domínio espanhol sobre suas antigas colônias.

De outro, as pretensões russas no noroeste do continente e a recusa do czar de reconhecer as repúblicas da América do Sul.

A solução desenhada em 1823 visava declarar que os interesses americanos estavam diretamente relacionados ao continente, sem ficar a reboque da Inglaterra.

O que a administração Trump omitiu no vídeo é que Adams e Monroe, cientes das limitações da nação que comandavam, comprometiam-se a não intervir em assuntos europeus.

Se havia a sugestão de uma área de influência nas Américas, os EUA se colocavam como espectadores dos conflitos no Velho Mundo. "Nas guerras entre as potências europeias, em questões que dizem respeito a elas próprias, jamais tomamos parte, nem seria compatível com nossa política fazê-lo", afirmou Monroe.

Desde aquele discurso, os EUA se tornaram uma superpotência, e a ideia de ficar fora dos assuntos da Europa perdeu sentido. Esse novo status, porém, não quer dizer que possam fazer o que bem entendem, mesmo na sua vizinhança.

É fato que os países da região estão sujeitos à predominância americana e que, na era Trump, gastam muita energia reagindo às ameaças do republicano.

Mas eles têm mais opções do que no século 19 e podem tomar suas decisões estratégicas levando em conta a complexa realidade atual —sendo a ascensão da China o fator mais relevante.

A Doutrina Monroe é uma peça de seu contexto histórico, reinterpretada ao longo dos anos de acordo com a evolução dos interesses dos EUA. Não é uma carta branca para direitos perpétuos.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

Leia também

Mais em Mundo
Mundo — imagem padrão
Mundo

Army drops roses on Syrian crowds in a far cry from war

Helicópteros do exército sírio jogaram rosas sobre multidões no festival Verão Síria no Citadela de Damasco, como parte de uma ampla iniciativa para reviver eventos culturais após anos de guerra civil.

Em Mundo
Mundo — imagem padrão
Mundo

Hamas leader heads to Cairo for Gaza talks ahead of Kushner visit

Clique aqui para pesquisarpesquisarInscreva-seMenu de navegaçãocaret-leftConflito Israel-PalestinaAcorrentados, sangrando, estuprados: Abuso em prisões israelenses'Este é um regime de apartheid'Donald Trump tem influênci

Em Mundo