A chegada de Abelardo De La Espriella à presidência da Colômbia reforça a guinada à direita na América Latina e a crescente influência dos Estados Unidos na região.
Em seu discurso de posse, na última sexta-feira (7), em uma base militar em Cali, no sudoeste do país, o novo presidente sinalizou a intenção de estreitar as relações com Washington e alinhar sua política de segurança às prioridades dos Estados Unidos.
No fim de semana, De La Espriella ordenou operações militares em várias regiões do país contra dissidências das Farc e o Clã do Golfo, marcando o início de uma estratégia de combate frontal aos grupos armados.
As ações conduzidas pela Força Pública resultaram em mortes, prisões e na apreensão de armas e material de inteligência.
Durante a posse, o presidente afirmou que um dos primeiros atos de seu governo seria aderir ao "Escudo das Américas", para "fortalecer a ação conjunta das nações livres diante das ameaças que afetam a segurança regional.
A declaração foi feita diante de centenas de militares perfilados em posição de sentido.
A organização, que reúne países liderados por políticos de direita alinhados a Washington, foi criada em março deste ano pelo governo de Donald Trump com o objetivo de estabelecer uma cooperação militar no continente americano.
No domingo (9), a presidência colombiana divulgou uma nota em que afirma ter recebido “com profunda satisfação” o anúncio da intenção de financiamento. O comunicado diz, ainda, que o pacote fortalece o uso de “tecnologia norte-americana de alto nível” pelas forças armadas do país agora comandado por De La Espriella.
Para Vladimir Rouvinski, professor de relações internacionais da Universidade Icesi, em Cali, a nova configuração da relação entre os dois países guarda semelhanças com uma experiência do passado.
O Plano Colômbia foi um acordo de cooperação bilateral em conjunto com os Estados Unidos criado em 1999. O projeto combinou ajuda financeira em larga escala e apoio militar norte-americano para combater o narcotráfico e enfraquecer grupos guerrilheiros de esquerda, como as FARC.
A chegada de De La Espriella ao poder ocorre em um momento de fortalecimento de lideranças de ultradireita na região. O novo presidente colombiano, que nunca havia ocupado um cargo público, tem entre suas promessas a construção de megapresídios inspirados no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Na área econômica, ele deve implementar medidas de austeridade. Em seu primeiro discurso como presidente do país, prometeu publicar um decreto para congelar os gastos públicos, sem explicar exatamente como a medida funcionaria.
Carlos Ortiz, professor da Universidade del Valle, acredita que as políticas do governo colombiano devem levar o país “novamente a um conflito social”. Para ele, as medidas anunciadas pelo novo governo representam um retrocesso em relação aos avanços democráticos durante a gestão de Gustavo Petro, antecessor de De La Espriella e primeiro presidente de esquerda a governar a Colômbia.
Enquanto a direita avança em boa parte da América Latina e a influência de Washington cresce na região, o Brasil permanece sob um governo de centro-esquerda, sem alinhamento com os Estados Unidos.
Para o professor Vladimir Rouvinski, o país, no entanto, não está isolado e ainda exerce um importante peso político sobre os vizinhos sul-americanos.
Para ele, caso Lula vença as eleições de outubro, o Brasil poderia atuar como uma espécie de contrapeso ao aumento da presença de Washington na América do Sul. “Eu diria que, nesse caso, o Brasil pode desempenhar um papel.
Se Lula vencer, o país pode atuar como uma espécie de contrapeso, em muitos sentidos, ao aumento da presença dos Estados Unidos na América do Sul.”.
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Fontes
Informação baseada em material público de RFI Português, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.