Esta segunda-feira, os franceses vão saber se fazem parte dos cerca de 678. 000 utilizadores do site “impots.gouv.fr” – particulares e empresas – afetados pelo roubo massivo de dados fiscais.
Na sexta-feira, a diretora-geral das Finanças Públicas, Amélie Verdier, lamentou um “ataque mais sofisticado” do que os observados “no passado”. Os comentários sob a mensagem da DGFiP na plataforma X foram desativados.
Num comunicado, a administração fiscal deu conta de uma intrusão no seu sistema de informação, que permitiu aos piratas consultar e extrair alguns dados sensíveis, nomeadamente o rendimento fiscal de referência e a taxa de retenção na fonte.
O fisco procura, no entanto, tranquilizar os cidadãos: os dados roubados “não permitem aceder à conta segura em impots.gouv.fr”. No caso das empresas, as informações comprometidas são “menos sensíveis” do que as dos particulares.
Incluem, nomeadamente, a denominação social e o número Siren (equivalente ao número de contribuinte português). Intrusões ocorridas em junho e julho de 2026 tornaram-se possíveis através de “usurpação de credenciais de um agente da DGFiP e de um terceiro autorizado”, precisou a administração.
Noutro ataque reivindicado pelo mesmo cibercriminoso, que atua sob o pseudónimo ZeoBytes, foram igualmente roubados dados relativos a imóveis. Segundo o site especializado FrenchBreaches, que regista as ciberataques em França, o pirata informático afirma que essa intrusão remonta a junho de 2026.
O site atribui-lhe também outras ofensivas, que visaram nomeadamente o Intermarché, a Eva GG, uma plataforma francesa especializada em realidade virtual, e a Federação Francesa de Andebol (FFHandball).
A DGFiP tentou ainda explicar porque é que o alerta só foi dado em meados de agosto. Reconhece que as verificações realizadas anteriormente “não permitiram detetar que essas intrusões tinham conduzido a roubos de dados, devido à sofisticação do ataque”.“Ilícitos cometidos contra os franceses e contra o Estado”Os serviços do primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmaram no sábado, em comunicado, que “as administrações do Estado são, tal como o conjunto das grandes organizações públicas e privadas na Europa, alvo de ataques informáticos cujo número e sofisticação estão a aumentar”.
Matignon, que considera estes ataques como “ilícitos cometidos contra os franceses e contra o Estado”, detalhou igualmente o reforço das medidas destinadas a combater estas ciberataques.
Um “plano de securização dos sistemas de informação do Estado” foi lançado em 30 de abril de 2026. Prevê, entre outros pontos, a criação, em breve, de uma nova autoridade digital do Estado, denominada ARIANE, que ficará diretamente ligada ao primeiro-ministro.
Esta campanha de ciberproteção já mobilizou 200 milhões de euros, parte dos quais deve servir para desenvolver capacidades em inteligência artificial, indica o gabinete do primeiro-ministro.
No âmbito do orçamento de 2027, as coimas aplicadas pela CNIL, a autoridade francesa responsável por zelar pela proteção de dados pessoais, devem contribuir para o seu financiamento.
Ministério Público de Paris abre inquéritoO Ministério Público de Paris abriu um inquérito por “extração fraudulenta de dados” e “associação de malfeitores”, após o roubo de informação relativa a cerca de 700 mil utilizadores, indicou no sábado, 15 de agosto, a mesma entidade, contactada pela AFP.
As investigações foram confiadas ao Gabinete Anticibercriminalidade (Ofac), integrado na Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN).
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O fisco procura, no entanto, tranquilizar os cidadãos: os dados roubados _“_não permitem aceder à conta segura em impots.gouv.fr”.
No caso das empresas, as informações comprometidas são “menos sensíveis” do que as dos particulares. Incluem, nomeadamente, a denominação social e o número Siren (equivalente ao número de contribuinte português).
Em números
- Esta campanha de ciberproteção já mobilizou 200 milhões de euros, parte dos quais deve servir para desenv
Fontes
Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.