A ONG de direitos humanos Cubalex afirmou, em relatório divulgado nesta terça-feira (18), que o primeiro semestre de 2026 em Cuba foi marcado por um "aumento sem precedentes" nos protestos e, consequentemente, na repressão na ilha.
De acordo com a organização, fundada em 2010 em Havana e exilada nos Estados Unidos desde 2017, houve 766 protestos ao longo do período, incluindo 253 no mês de junho —este último número sendo um pico desde que a entidade começou a monitorar esses eventos na ilha, em 2022.
As violações de direitos humanos também aumentaram, segundo a ONG: foram 1. 894 de janeiro a junho, uma média de dez por dia. Para comparação, foram registrados 1.
279 eventos do tipo no semestre anterior, ou sete por dia. Trata-se de um aumento de 48%.
Os números, de acordo com a própria organização, refletem "tanto uma expansão da capacidade de monitoramento da Cubalex quanto sinais convergentes de intensificação da repressão.
Cuba vive sua maior crise desde a revolução, em 1959, quando passou a ser alvo de um bloqueio econômico que ganhou intensidade inédita no segundo mandato de Donald Trump.
A falta de combustível na ilha —altamente dependente do petróleo da Venezuela, sob intervenção americana desde janeiro— já provocou seis apagões generalizados no país somente este ano.
Segundo a Cubalex, a repressão atingiu 919 pessoas no primeiro semestre —204 mulheres e 715 homens. "Este período demonstra a continuidade e a intensificação de padrões que estendem a repressão a setores não organizados da população, em que o número de vítimas duplicou em comparação com os seis meses anteriores", escreveu a ONG, citando manifestantes, críticos nas redes sociais, trabalhadores informais e figuras religiosas.
Os registros da entidade mostram que 58% dos incidentes repressivos afetaram a sociedade civil independente e organizada e 42% afetaram cidadãos sem qualquer vínculo organizacional conhecido.
Em números
- Segundo a Cubalex, a repressão atingiu 919 pessoas no primeiro semestre —204 mulheres e 715 homens
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.